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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Uma meia dúzia de anos


Chegaste. Fruto da obstinação que me caracteriza, quase tão bom ou tão mau como se tem de bom ou mau ser teimoso. Marcaste a diferença: as noites, cansadas de choros e preocupações veladas, de um silencio impresso, precioso, sendo rasgadas por outros tantos gritos de quem buscava atenção, passaram para um silencio calmo, que quase preocupava pela serenidade, estranha, da novidade de passarem a inteiras, dormidas.


Trouxeste no sorriso fácil, a simplicidade com que me dás a volta com tão pouco.  Habituada que estava a fazer valer a minha imposição após instantes de luta desafiada, mais e mais, até que tudo acaba com uma capitulação minha, geralmente por cansaço, ou com um estridente puxar de cordas vocais em jeito de ditadura. Tudo para ti é fácil e se não se consegue com um chorinho e olhinhos mansos ou recorrendo a um irmão, mais velho e grande, que saiu à mãe na sua obstinação em fazer valer a posição que defende, não se consegue e ponto! Simples, assim...O ou é tudo ou então não quero nada não vale para ti, és mais pacífico do que toda a tempestade que se consegue fazer dentro do copo de água que é a nossa família e mais teatral ( com os teus olhinhos de mansidão e birrinhas de criança, que sempre serás...) na tua naturalidade mimada.


Suspeito que, na parte que te toca, até ao teu irmão já sabes dar a volta e lutas, pacificamente, pelo teu próprio espaço, encaminhando devagar o pavio curto que provoca por vezes muita chama, só para que se vejam fogos de artifício.

De uma escolha, são vocês o meu grande desafio. Dei-vos o primeiro dia, faremos, enquanto podermos, o resto das nossas vidas. Uns e outros, por seus caminhos, nas diferenças e nas parecenças, juntos, para o que cá houver...


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Viagens no Império Romano



Adoro a mitologia greco-romana! Desde miúda que aprecio as intrincadas teias de pensamento expostas em histórias e estórias de vida e vidas que os gregos imprimiram na sua mitologia e que os romanos souberam  apropriar como ninguém, dando à mitologia uma vertente mais aguerrida, mais imperial e que espalharam por um vasto território. Sou visitante mais ou menos assídua de ruínas,  museus e exposições que me contem  um pouco mais sobre a civilização destes senhores. Sou até, como se tem notado ao longo da vida do phomentos, fã de banda desenhada onde estes amigos eram literalmente ironizados nas suas " artes marciais"   .

A nossa zona é rica em vestígios da civilização romana. Para além dos vestígios de ruínas encontradas no recreio da escola primária, também em Troia existem ruínas de uma cidade, que se dedicou à salmoura e onde se pode ver o que resta de uma zona de termas, um mausoléu e uma zona residencial, e que voltou a abrir as portas ao público . Este fim de semana houve um mercado romano e eu fui matar saudades de um local onde não ia há mais de década e meia. É engraçado perceber que com o passar dos anos o tamanho real dos locais que povoam a nossa lembrança se vai reduzindo. Tudo é mais pequeno do que aquilo que me recordava, mas parece estar bem tratado e julgo que só o facto de ter existido esta iniciativa é indicativo que o Troia Resort se interessa pelo local, pela sua conservação e espero pela exploração e estudo de mais vestígios. O Passado é o passaporte para aquilo que somos e seremos. É com o que vivemos que aprendemos a ultrapassar as dificuldades e as questões que se nos põem. É partindo do exemplo que outros deixaram, que construímos o futuro com mais segurança. Para além do que a História é cultura e cultura é identidade...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Adonçando as palavras



Amasso-me por entre os compostos que cozinham as emoções, peneirando pozes de sabor agridoce, ora picando, ora adoçando os paladares de exoticas ou mais caseiras viagens.
Desfaço-me em mil paragens, que nunca parando, se desenrolam em fios de letras combinadas, formando frases, teorias, pensamentos ou simples melodias de significados incertos, porem desertos de se encherem de vida , de outras vidas que em sede, se saciam de sonhos cremosos coloridos e majestosos. Como uma criança de roda por entre as saias e os temperos, viajo na minha propria imaginação chegando lá, onde a palavra se traduz nas imaginações alheias...

Voltei onde a minha alma falta alto, ao desespero das incertezas de um sem sabor, sabendo o sentir de tantas vidas, com ou sem um sentido de doçura repartida...



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

um síndrome viral

Neste momento sinto-me, mais ou menos, como um frango no espeto a dar voltas!




Uma parte apanha frio, outra esturrica, ora bem não estou a bater o dente, ora estou a alagar-me em água! Esta coisa de que determinadas situações só acontecem aos outros, não é bem assim...Ora venham-me lá dizer que por ser enfermeira, não tenho direito a ser uma piegas de primeira quando me sinto doente, venham, venham!... Logo vêm a resposta que levam...



Mas da forma como as coisas começaram este ano, bolas pá! também não era preciso tanto para demonstrar que ia ser difícil!

O que vale, é que apesar dos pesares, os portugueses continuarão sempre a ser os mesmos "idiotas".

As melhoras para mim! =D

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

... e afinal, ele já cá está =)

 
Por vezes é necessário termos esperanças realistas. Não esperar demasiado, não aumentar expectativas, não " dourar a pílula" para que ela não venha a ter um "sabor amargo".
 
O novo ano chegou ( chegava mesmo que não o quisessemos) e era necessário que assim fosse, porque necessitamos de renovações, mesmo que simbólicas, para mantermos viva a chama da esperança.  O ser humano faz-se, para além de vida vivida, de formas de vida projectadas, pensadas, elaboradas. É a nossa percepção do que nos rodeia, que nos ajuda a processar o que nos acontece e preparar o que pode acontecer. Um planeamento definido aliado a um trabalho arduo oferece-nos garantias: perpectivas, segurança e confiança.
Confiemos que 2013 será um ano melhor. Mesmo que todos os dias nos encharquem com pessimismos, violências ou essa nova moda do culto da desgraça, acreditemos que ( à nossa escala) poderemos marcar a diferença. 
 
Acreditar no trabalho daqueles que nos dizem algo, que nos acrescentam, que sabemos que prestarão as suas contas e que manterão as suas ideias e valores, mesmo que por vezes à custa de algum esforço pessoal, é sobretudo acreditar no ser humano, como "algo" muito para além do mundo animal: um ser complexo, maravilhoso e dotado de capacidades únicas como capacidade de querer, amar e imaginar.
 
 
 
 
 
 
 
 



a primeira imagem retirei daqui e as outras do "amigo" google  =)

 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Aprender a voar




Quando as rochas derreterem,
e as ilhas se cobrirem com o sumo da vida,
quando o vento assobiar às tempestades,
deixando  as nuvens de chorar o seu tormento
Eu aprenderei a voar
para salvar as crianças
das marcas do passar do tempo

«««««««««««««««««««««««««««««««

ela queria aprender a voar,
aproximou-se,
espreitou pela janela e viu o mundo a brincar sem ela.

abriu os braços e atirou-se:
o chão é duro
o pó levantou, com o peso do corpo
em redor
tudo ficou turvo, os sentidos perderam-se
nada parecia ser o que fora

O chão é duro,
mas é certo o seu lugar
e a menina aprendeu
que os humanos não podem voar

ela queria aprender a voar,  devagar,
a estrada é muito suja, e começou sozinha...

intacta, ela continua,
a estrada há-de chegar...

Um dia


 







Para o menino que queria chegar a Marte ... já passei a fase da lua ... =)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

No patamar do céu



Chove lá fora.

Cá dentro as lágrimas caem dos rostos sem brio, amarrotados como de
papel reciclado se tratassem: se nos tratatassem...

Foi assim por entre as luzes do azul e do fluorescente, entre branco
aguerrido que a vida deu a volta. Nas voltas por entre as vidas, o
futuro, cria: pintar a amarelo.

Mas tal como se colhermos uma papoila do mato onde nasce , selvagem
sem a mão humana, também o futuro não se deixa pintar por qualquer
mão. Cria-se. Cria-se um futuro por entre os passos, como se um tango
ou uma valsa se tratasse...

...e o piano prime as teclas, na sonolenta melodia, comprimem-se as
dores, e o futuro passa...passa-se...

Chega.

....de um fabuloso destino, a papoila conjuga as cores, as dores...

e na leveza, entre a alma e outras almas, chegaremos por fim, ao
patamar  de um nosso céu.




*Ana Lúcia Bica ( Tita)*

domingo, 2 de dezembro de 2012

À Porta



A porta : da porta para dentro, no meu mundo, ainda se conseguem ver as mito_lógicas criaturas que habitam todos os sonhos que se podem ter enquanto se é criança; os bosques têm árvores frondosas, onde a cada recanto se encontram mágicas criaturas, com misteriosos poderes.
Os caminhos, por vezes turtuosos, no meu mundo, sempre chegarão a algum lugar; a porta: na entrada de um maravilhoso castelo onde as asas me fazem borboleta com uma bateria no peito, qual gaivota a voar pelos céus de uma lisboa que só eu conheço...
No meu mundo, tudo se conjuga, porque tudo isso é ser, e é isso ser o meu ser, mas isso seria quase impossível saber...se...
Dentro da porta assim é; da porta para fora nada se vê para alem dos olhos de quem olha. Uma casa, uma rua, uma estrada, um caminho até chegar, e a espera, a espera do que se pretende encontrar: braços abertos, um abraço ambulante, a colocar sorrisos nos lábios que se abrem para colocar em voz pensamentos com o cunho de uma raiva que não se sabe onde guardar ( onde e que se colocam as coisas que não são propriamente lixo, mas que não sabemos como usar? Onde se deixam, esquecidas, as duvidas, quando tudo corre mal?).
À porta um eu, num seu que é meu e teu...os sonhos da porta para dentro, o mundo da porta para fora, e à volta a vida, que vai na rua, que não me interessa, desde que hajam braços abertos na porta do meu castelo, rodeado de florestas encantadas onde se cantam abraços e desejos.
A porta: da porta para dentro um mundo assim, lá fora tudo o que se espera de mim...


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Dez e meio e dois palmos de gente: Sempre na minha mente (as Luzinhas)



Olho o relógio e os ponteiros passam, a marcar horas, pelo mesmo sítio, onde, há 10 anos, o relógio digital marcou pela ultima vez um número em que só eu contava...
Um sono aparentemente igual a tantos outros e o despertar que mudou para sempre o correr, o marca passo, a importância e a noção de que o tempo nunca tem tempo suficiente para demonstrar, fazer, aperfeiçoar e afeiçoar tudo o que pretendemos proteger daí para a frente.
Podia fazer correr as teclas do computador uma noite inteira e não conseguiria descrever o que já vi acontecer dezenas de vezes mas que quando nos calha a nós, sabe sempre a felicidade num estado indeterminado; indeterminado porque não há escala nesta vida que permita comparar com qualquer outra coisa: sentir nascer de dentro de nós, para a luz, uma nova vida, que a cada minuto que corre, daí para a frente, quererá ser sempre e sempre mais independente.

E porque todas as palavras, as letras e os sentimentos não chegam para preencher o interior do ser mãe

Parabéns por seres...  


Tu, uma das minhas luzes


         


Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro nem ficas sozinha
Que luzinha tão lindinha acompanha a menina
Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro e nem ficas sozinha
Ao bébé chamaste Zé e ao ursinho Antoninho
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar?

Olha, olha esta luzinha...

Teu lado a brilhar... nem ficas sozinha...acompanha a menina...

Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar (teu lado a brilhar)
Assim nunca está escuro nem ficas sozinha (nem ficas sozinha)
Que luzinha tão lindinha acompanha a menina (acompanha a menina)
Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar (teu lado a brilhar)
Queria ter lar (ai que nome)
Que nome lhe vamos dar
Era tão bom ter um nome
Que nome lhe vamos dar?
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar?

Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...

Luzinha....


domingo, 4 de novembro de 2012

Por terras e águas do Luso

Da humidade que o bosque transmite, numa terra de água, estranho seria se não nascessem a cada canto,  todos diferentes, por vezes sozinhos, outras "aos molhos". Digo sempre que todos são comestíveis, mas alguns, são-o apenas uma vez...este não sei, que nada percebo de cogumelos, mas tem um aspecto mágico e só lhe faltava a lagarta a fumar, confortavelmente sentada por cima dele.

Parei em frente e esperei que saísse o coelho a olhar para o relógio, a confirmar-se atrasado. Ri-me com a noção que tive que essa imagem do coelho atrasado, me seria tão proximamente familiar.
A porta é minúscula e está implantada, cercada de plantas, num lugar tão improvável que quase que aposto que quem a colocou ali, esperava que parássemos a sonhar, à sua frente....



E por fim, depois de me ter fascinado por mais uma mata nacional, as placas a informarem os sentidos confirmaram-me o que antemão já pressentia  Por vezes existe mais do que uma hipótese de ir dar ao mesmo lugar, só que por uma delas, mais tarde ou mais cedo, vamos inevitavelmente enfiar um pé na cova...

Adorei as terras húmidas e quiméricas do Luso


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Rotas


Passas pelo mesmo caminho todos os dias, mas
escondidas na tua rota,
existem as curvas que te fazem abanar a cabeça e chocalhar os pensamentos
tentando em vão por em ordem o que parece espalhado pelo chão,
que não sabes como pisar.

Caminho...

Na clareira encontras o sol que se esconde
por detrás daquelas que lá estão e já la estavam
antes sequer de começares a pensar em passar por ali.

Clareira...

As árvores deixam que o sol espreite por entre as folhas que respiram,
fazendo com que este leve com ele tudo o que não necessitam e está a mais,
ajudando-as a transformar, reciclando.

Árvores...

Não andar,
não dar sequer um passo é motivo para ser menos eficiente?
Conta-me árvore, o que vês da altivez da tua inércia?
Fazendo mais por outros do que se poderia imaginar,
sem mexer nada de ti
a não ser quando o vento vem brincar para perto.

Não andar...

Todos os dia escondida na tua rota,
sem dar um passo que não seja necessário,
abanas a cabeça, negando curvas,
chocalhando os pensamentos tentando perceber,
que clareira esconderá o caminho que te levará
àquilo
que não queres de todo pisar...

Todos os dias escondida na tua rota...



"Se cuidas de mim
Eu cuido de ti também
Se vens em paz
Eu venho por bem
Se formos bebendo
o chão deste caminho
Vou guardar-te bem
Agora que sei
Que não vou sozinho"


Tiago Bettencourt - Se cuidas de mim







domingo, 14 de outubro de 2012

As várias formas de dizer: amo-te



No caminho para o modelo (ou continente se preferirem as constantes actualizações de marketing) encontrei esta maravilha e fotografei-a, porque me fascinou.
Fascinam-me as ideias, algumas delas aparentemente sem sentido, que o ser humano arranja para demonstrar o que lhe vai la dentro.
Este apaixonado escolheu baldes de lixo como pano de fundo (ou outdoor) para demonstrar o que sentia.

A duvida tem-me perseguido desde então. Será que rosa compreendeu a nobreza da atitude ( apesar de serem baldes de lixo? ) Será que ela percebeu que o seu apaixonado escolheu uma forma totalmente diferente e só por isso mais chamativa para lhe confessar o que provavelmente de outra maneira não a conseguiria fazer entender? Será que a rosa chegou a perceber que era A Rosa e retribuiu? Ou será que um dia ainda irei encontrar escrito, num outro qualquer lugar insólito, a resposta da Rosa, que talvez, também incapaz de se expressar de outra forma, escreverá algures por ai, num outro mural improvisado:

Também te amo, Ze !

Com tanta hipótese imaginativa de se demonstrar o que se sente, de forma tao "subtil" e engraçada, quem é que necessita de facebook?

Talvez seja este o novo paradigma do graffiti ...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A semente da felicidade



... e depois ela quis ser feliz.
       ... um dia também ele tinha querido ser feliz.

Se fosses um dia de chuva diria que serias um daqueles em que a nostalgia até nos consegue fazer sentir maiores ( sabes como é?)  aquela nostalgia boa, de quem está de bem com tudo de bom e de mau que foi acontecendo ao longo do caminho.
Mas, se a memória não me falha, até nem chovia.

Era só de noite. Uma noite escura em que a única iluminação era a ponte que se fez a cada passo que os juntou.
Talvez se tenham reconhecido, talvez não. Quem consegue adivinhar a linguagem de uma voz que não fala?
Sentiram ( ou talvez não) que aqueles dias lhes aplacavam a solidão que se agarra ao corpo como se uma outra pele se tratasse.
...  depois ela continuou a querer ser feliz
      ...e ele continuou a não saber o que o faria ser feliz... ( só não me deixes gritar)
e a história deixou de fazer sentido...

Antes de tentar ser feliz , sonhava. Sonhava em ser feliz e era feliz sonhando...

Ele chegou. Tomou conta do  seu castelo nas nuvens ( era meu ou era teu, o castelo? ) . Prometeu, roubou o fogo dos Deuses e ateou-lhe a paixão. Mas os deuses castigam quem rouba o fogo sagrado sem pedir permissão para o fazer...e ela assustou-se.

      ....  ela continuou a querer ser feliz...
          .... e ele continuou sem saber se ela o faria feliz.

E a ponte (era uma ponte?) mudou de direcção e ela afastou-se, procurando noutros caminhos aquilo que se tinha proposto encontrar

... continuou infeliz. Quem sente de perto o calor do fogo dos Deuses não se contenta com nada mais.

Será que a linguagem das vozes que não falam são o código de honra dos que vestem a pele da solidão como se não conhecessem nenhuma outra?

Prometeu, roubou o fogo e não voltou...

    ....mesmo assim ela continua a querer ser feliz.

Dizem que a felicidade está dentro de nós. (Cá dentro? Estranho! há anos que me perco dentro de mim e ainda não a consegui encontrar)

     .... será que ele um dia também terá querido ser feliz?

Há sementes que não se devem lançar ao chão, porque se não forem para acarinhar, podem nunca chegar a crescer




" I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things,
 I didn't give to you
Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded"...

Adele - Someone like you

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A Flor de Sal



" Vós, diz Cristo Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal
da terra: e chama-lhes o sal da terra, porque quer que façam na terra
o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a
terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que
têm o ofício de sal, qual será , ou qual pode ser a causa desta
corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa
salgar. "...


Sermão de Stº António aos peixes -
Padre António Vieira




Branca, fria(?), ar tosco. Os primeiros raios da luz da manhã insidem obliquamente nas suas minúsculas folhas deixando a descoberto um suave brilho, que só se percebe bem em algumas incidências.
A luz decompõem-se.
P`las lágrimas, deixando-a a descoberto, as várias tonalidades que a luz branca pode gerar formam um arco-íris em cada folha. A íris, na palete de cores confunde e pode fazer dela qualquer
flor.
Não é uma qualquer. É a flor de sal.
Suave visão, branca como a neve... e ainda a vida, a manter-se à superficie como se uma ilha fora, tentando não afundar, para não se tornar apenas em mais sal vulgar. Colhida por mãos alheis, desfolhada em minimos cristais: pedra brilhante, agora, deformada.
Num qualquer prato servida? Não! As folhas que brilhavam e fizeram dela flor, lembram, no gosto do seu tempero que a mão certa só do melhor se servirá...



..."Few tears
Few milles
between my vision
and your calm routine

And I`m stading here
happy to be here
happy to be here
here and now" ...


Open Window - THE GIFT

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mudanças de Estação



Por aqui vestimos as cores de Outono. Parece que veio de mansinho, na hora certa, ocupar o lugar que lhe pertence. O Outono é para mim a necessária estação para a hibernação que vem com o Inverno. Não que me passe sequer pela cabeça hibernar (porque como isto anda, aí de quem não vá trabalhar) mas porque no fundo o Inverno é um tempo de reclusão e meditação em que nos vimos confinados à protecção segura de um abrigo contruído, para que as tormentas que o céu divide, não sejam fatais e demasiado rigorosas.

A verdade é que arranjei uma desculpa para mudar um pouco, parece-me sempre que nunca está suficientemente bem e que se pode sempre melhorar e nunca fico totalmente satisfeita com o resultado. Exigência? não acho, até porque sou bastante descontraída quando faço uma coisa que realmente gosto. Mania da perfeição? ( completamente fora de hipótese, sou contra isso e a minha religião não me permite) Então o que será? Na verdade acho que é uma insatisfação que me é intrinseca, nunca estou realmente satisfeita com o resultado daquilo que faço. No entanto, esta premissa aplico-a a mim e exclusivamente a mim. Traz-me de facto alguns contra-tempos e nunca dou o devido valor ao que é meu. Apesar disso sei que consigo quase sempre transmitir a outros o valor que lhes atribuo, mesmo que por vezes a expressão desse valor seja feita de uma forma que me caracteriza, ou seja, é preciso conhecer a peça para lhe entender o significado.

Num dos vários cursos que já fiz (como é também característica da minha geração, todos nós acumulamos formações atrás de formações), na disciplina de relação interpessoal, o professor caracterizava o português como aquele que, numa sala escura onde só  houvesse um projector, se iria colocar no local mais sombrio dessa mesma sala. Lembro-me de ter pensado: Sou eu! Não há dúvida, corre-me sangue português nas veias! O pior é que isso nos tem trazido demasiados dissabores ao longo dos tempos, especialmente por desvalorizarmos aquilo que é nosso.

Felizmente vão existindo alguns Mourinhos e Figos e Ronaldos, que apesar das criticas de que são alvo no seu próprio país, lá vão levando a sua avante, acreditando sempre no seu real valor.


Temos que ser fortes! acreditar no nosso valor e acreditar que apesar de todas as cigarras a cantar neste país, as formigas resistirão aos Invernos, preparadas que estão para os tempos maus...





domingo, 3 de junho de 2012

Os guardadores do futuro e dos sonhos

Talvez este post venha um pouco fora de horas ou talvez tenha chegado mesmo na hora certa, o porquê de certas coisas acontecerem em determinados momentos é um mistério para mim, ainda!

Lembro-me, embora já com algumas lacunas, do dia da inauguração da Ludoteca: lembro-me de entrar dentro das instalações pintadas de fresco e ver aquelas miniaturas de mobilias, como se tudo fosse um mundo desenhado à medida que eu tinha naquele tempo. Já nessa altura era uma das caractereisticas daquele espaço, oferecer-nos a nós, crianças de então, as ferramentas necessárias para nos ensinar a pensar e a criar um espirito crítico em relação ao mundo.

Lembro-me das oficinas de leitura, em que nos eram lidos livros que nos faziam sonhar. Foi aí, através da voz da D. Camila que a vida me apresentou o Constantino . Ontem voltei a encontrá-lo. Os anos passaram, o espelho diz-me constantemente que já não sou uma criança ( embora a cabeça teime em deixar-se convencer!!)  e os meus próprios filhos relembram-me diariamente o que mudou e o que nunca muda na lei da vida. Mas como eu dizia, ontem encontrei de novo o Constantino e, quem diria, exactamente no mesmo sitio onde o conheci pela primeira vez.




 Com a conceção e adaptação de Maria Manuel Costa ( a Mané ) o constantino ganhou vida dentro do espaço da ludoteca, pela voz e interpretação dos nossos meninos. E não existem melhores palavras do que as da própria Mané ( expressas nas follha de sala) para descrever o que aconteceu:

« Constantino é o primeiro "Produto para o Público" da Oficina de Teatro que teve ínicio este ano lectivo na Ludoteca:Durante meses, as crianças tiveram uma hora semanal de expressão dramática/ interpretação. Queríamos mostrar um pouco daquilo que aprendemos até aqui, pois as aprendizagens a fazer não se esgotaram neste primeiro ano de projeto. Mas que peça apresentar-vos? Confesso que a escolha não foi fácil...Foram muitas e muitas horas dedicadas à escolha de texto... Mas o Constantino " Raça de Moço" estava cá guardado desde o meu 5ª ano, quando, às segundas-feiras , o liamos em voz alta na aula de portugês coma professora Clementina.
Era ele que  havia de  me arrebatar novamente o coração, e lancei mãos à tarefa de o adaptar para teatro e paraos meus muito queridos " atores".  Espero que ele vos transporte por momentos, aessa ruralidade da segunda metade do século passado, onde, se por um lado a realidade mostrava a estes meninos que a 4ª classe , a escolaridade a que podiam aspirar, o contacto com a natureza e a ligação aos outros os levava a viver pequenas/grandes aventuras e sonhar... Realidades tão distantes dos " nossos atores" mas tão presentes ainda na nossa memória coletiva. Destes " retratos" tão maravilhosamente criados por Alves Redol, espero que o nosso Constántino tenha conseguido reter alguma das suas cores .
Não posso deixar de fazer alguns agradecimentos. Em primeiro lugar à Junta de Freguesia, que, felizmente, entende que as artes, em particular neste caso, o teatro, é fundamentalpara a formação global dos indivìduos. Aos pais, que permitiram aos seus filhos embarcar nesta aventura, ao Carlos Cardoso pela sua disponobilidade, à equipa da Ludoteca que foi incansável na realização dos cenários, no apio aos ensaios, na elaboração da sonoplastia; A Teresa, que por ter a " sorte" de ser da família, mais do que ninguém aturou as minhas "angustias" fora de horas de serviço, aos da minha casa, pelas horas que lhe roubei e em último por serem de facto os mais importantes, aos meus "Atores" que tanto se empenharam para que este projeto fosse uma realidade. »

Quem me conhece bem sabe que, para mim, uma democracia ativa e partilhada exige atores sociais responsáveis, instruidos e sobretudo com uma atitude critica perante o que os rodeia. Por isso  sou eu que , em meu nome e penso que em nome de todos os pais, te a agradeço a ti Maria Manuel e a todos os elementos da Ludoteca, que nos ajudam nessa dificil tarefa de construir o futuro do país através do que nele tem mais valor, as pessoas e principalmente as crianças.





Aplausos para todos!!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O que importa é a atitude

A noticia não é de hoje, já tem quase um mês, mas de qualquer das formas surpreendeu-me e fascinou-me pela positiva...

Ao menos agora já alguém consegue comunicar nas discotecas!

Hajam boas ideias !!! e o que importa é a atitude





quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Essências



Momentos e sensações...
O cheiro doce invade o espaço e a suavidade da calma preenche o vazio
A luz ténue descobre sempre um pequeno local por onde espreitar.
Essenciais, a luz e a calma tornam-se prioridades na correria dos dias apressados.