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domingo, 26 de maio de 2013

Por terras de cante



Este fim de semana realizei mais um daqueles pequenos sonhos que se tornam importantes para a construção da nossa vida, como caminho in_certo que escolhemos percorrer.
Foi desta que fui ao Alqueva!
Alvo de tantas discussões e até algumas contradições, o grande lago do Alqueva afigurava-se-me como uma estranha ( até meio contra-natura) e megalómana construção no meio da planície. Lembro-me das opiniões e leituras que "consumi" na esperança de encontrar algum consenso que me permitisse formar opinião ( ah! santa ingenuidade!). Na verdade não há nada como ir, ver, ouvir quem sabe, quem usa, quem sabe do que fala e só depois emitir ( ou formar) opinião.




Raios me partam se não consigo ainda ficar absolutamente abismada com o que a engenharia e "carolice"  dos homens consegue construir. Como é que é possível que uma parede de betão consiga conter a força de tanta água... e no entanto ela está lá, presa, espraiando-se pela planície transformando os castanhos, secos e áridos, duma terra que parecia ter sido abandonada pela alma de um povo, em amarelos de aspecto sadio salpicados aqui e ali do vermelho das papoilas e do verde de uma cultura que pretende de novo ter força para surgir... E o grande lago formou-se à força de se conter uma riqueza que é nossa e que podemos e devemos usufruir para manter viva não só a alma mas também aquilo que alimenta o corpo de uma nação. 



Ai Alentejo da minha alma, que agora já não te falta água para dares de comer à nação! Talvez te faltem ainda uma quantidade generosa de homens capazes de te fazer brotar do chão alguma esperança,  que não se cansem facilmente, à primeira contrariedade, correndo para se abrigarem nas mãos do estado ( a que chegámos)  mas isso como tudo o resto também se forma a partir da vontade. 

Por enquanto podemos ir navegando nos barcos de recreio, visitar a marina, produzir energia e encantarmo-nos com esta nova paisagem a perder de vista... Espero que em breve se possa espalhar esta tão grande riqueza fazendo renascer a esperança e a vontade de regressar às terras onde o trabalho pode sempre dar o fruto necessário à nossa sustentação

Digo eu...





quinta-feira, 25 de abril de 2013

Correr pela liberbade




A liberdade, para além de tudo, corre-me nas veias, tal como a alegria. Mesmo que ela se expluda em ataques de raiva mal contidos, quem me sabe levar, leva-me sempre por bem...

Ontem, para celebrar o meu ataque passado, decidi, à última da hora e sem grandes programações ( mesmo como eu acho que as coisas sabem melhor) , ir correr pela liberdade. A passo de tartaruga lá fui, na companhia do meu mais pequeno, que o grande já corre como gente grande! Não é isto nenhuma fábula, por isso, cheguei exactamente como se esperava, na liga dos últimos! de sorriso estampado na cara, porque quem sabe admitir que por vezes erra, também sabe o bom gosto que dá na boca, a humildade de reconhecer aos outros razão...

Se é verdade que até já aos festejos apertaram o cinto, também é verdade que a festa deve estar dentro de nós e se a revolução ainda está a tentar concretizar-se o golpe de estado esse já leva anos que cheguem para a maturidade! Talvez esteja na hora de reformularmos a nossa revolução, de percebermos o que queremos que façam com o nosso pais, o que vamos deixar que moldem, que modifiquem e ao que nos queremos agarrar, como escolha consciente, cientes que das nossas escolhas sairá o bem maior para todos nós, que do meu ponto de vista deve ser o pilar de qualquer estado.

É a nós que cabe a responsabilidade de defender o que é nosso, não a outros! Unidos somos mais, mais fortes, mais seguros! Defender quintas pessoais, por esta altura do campeonato, é um erro em que não devemos deixar-nos cair. É a nacionalidade, o futuro, o sorriso na boca dos nossos filhos que está em causa. Por um sorriso e a felicidade daqueles que mais amo, garanto-vos, dou a volta a este e ao outro mundo! até me sujeito a correr atrás da liberdade =P

( mesmo que chegue em último!  ;D  )

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Adonçando as palavras



Amasso-me por entre os compostos que cozinham as emoções, peneirando pozes de sabor agridoce, ora picando, ora adoçando os paladares de exoticas ou mais caseiras viagens.
Desfaço-me em mil paragens, que nunca parando, se desenrolam em fios de letras combinadas, formando frases, teorias, pensamentos ou simples melodias de significados incertos, porem desertos de se encherem de vida , de outras vidas que em sede, se saciam de sonhos cremosos coloridos e majestosos. Como uma criança de roda por entre as saias e os temperos, viajo na minha propria imaginação chegando lá, onde a palavra se traduz nas imaginações alheias...

Voltei onde a minha alma falta alto, ao desespero das incertezas de um sem sabor, sabendo o sentir de tantas vidas, com ou sem um sentido de doçura repartida...



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ar ... de natal




E, por esta altura do campeonato ( perguntarão vocês) será que ela se
esqueceu que é Natal?

Na verdade estava à espera da chegada do Inverno, e do seu manto alvo
de beleza e mansidão, para vestir o " sítio" com roupagens
apropriadas. Depois lembrei-me que a chegada do Inverno, este ano,
coincide com mais uma mágica e apocalipitica previsão de fim de
mundo.
Bom, pelo sim pelo não, considero mais prudente " vestir-me"
antecipadamente não vá o dito cujo chegar, sem que eu vos deseje :

Um bonito, desenrascado, imaginativo e alegre

FELIZ NATAL


                                  =D

domingo, 16 de dezembro de 2012

Aprender a voar




Quando as rochas derreterem,
e as ilhas se cobrirem com o sumo da vida,
quando o vento assobiar às tempestades,
deixando  as nuvens de chorar o seu tormento
Eu aprenderei a voar
para salvar as crianças
das marcas do passar do tempo

«««««««««««««««««««««««««««««««

ela queria aprender a voar,
aproximou-se,
espreitou pela janela e viu o mundo a brincar sem ela.

abriu os braços e atirou-se:
o chão é duro
o pó levantou, com o peso do corpo
em redor
tudo ficou turvo, os sentidos perderam-se
nada parecia ser o que fora

O chão é duro,
mas é certo o seu lugar
e a menina aprendeu
que os humanos não podem voar

ela queria aprender a voar,  devagar,
a estrada é muito suja, e começou sozinha...

intacta, ela continua,
a estrada há-de chegar...

Um dia


 







Para o menino que queria chegar a Marte ... já passei a fase da lua ... =)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Funda_mentalismos



É engraçado...

Por vezes as coisas não parecem claras, não se desenrolam na mente.
Por vezes os nossos olhos não conseguem distinguir por completo aquilo
que nos é mostrado. A mente não traduz o que se nos depara e
perdemo-nos, na suposição da oposição de umas coisas e outras.

Outras vezes a boca não traduz aquilo que o coração sente.

Outras ainda, nada; disso se passa,

e é aí que deixa de ser engraçado.

Opá!!
a vida é uma aventura, um novelo de fios de telefone interligados por
onde as vozes se vão comunicando umas com as outras, em complicadas
redes de transmissão de pensamentos e sentimentos, em que muitas vezes
não se pensa no que se diz nem se diz o que se pensa, e é esta a
diferença que faz toda a diferença.

Diferem, os pensamentos que ferem os sentimentos, os sentimentos que
levam aos pensamentos.


E pronto, hoje não me sai nada melhor.

Com tanta gente que caminha sobre esta terra, eu ainda acredito que
cada tacho, tem a sua devida tampa...

;)

...e no meu quintal, amor é fundamental, llooolll

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

No patamar do céu



Chove lá fora.

Cá dentro as lágrimas caem dos rostos sem brio, amarrotados como de
papel reciclado se tratassem: se nos tratatassem...

Foi assim por entre as luzes do azul e do fluorescente, entre branco
aguerrido que a vida deu a volta. Nas voltas por entre as vidas, o
futuro, cria: pintar a amarelo.

Mas tal como se colhermos uma papoila do mato onde nasce , selvagem
sem a mão humana, também o futuro não se deixa pintar por qualquer
mão. Cria-se. Cria-se um futuro por entre os passos, como se um tango
ou uma valsa se tratasse...

...e o piano prime as teclas, na sonolenta melodia, comprimem-se as
dores, e o futuro passa...passa-se...

Chega.

....de um fabuloso destino, a papoila conjuga as cores, as dores...

e na leveza, entre a alma e outras almas, chegaremos por fim, ao
patamar  de um nosso céu.




*Ana Lúcia Bica ( Tita)*

sábado, 17 de novembro de 2012

Talvez...conduzir mais devagar


Talvez tenha sido um despertar presenteado; talvez uma loucura; mas talvez se não tivesse lá ido seria menos uma experiência que poderia recordar.
E a voz? Como se toda a cadência e potência do sentimento lhe saísse por aquelas cordas que abrilhantam os nossos sentidos, como se toda ela se agigantasse nos seus próprios movimentos.

Quem não sonhou um dia ser o interprete especial num local previligiado? Talvez vê-los assim presidencialmente apresentados, de camarote, observando os que deviam observar, transforme a noção de espectáculo. Espectáculo partilha, ou melhor, partilha espectacular...

Talvez os tempos sejam de abrandar,
talvez sejam tempos de esperar,
de proteger,
de inspirar e sobreviver,
mas talvez , ainda com as proteccoes vestidas,
não possamos deixar de procurar aquilo que nos faz feliz!

Tirem-me a vontade,
Levem-me o dinheiro,
Escondam-me a verdade
Visto-me e revisto-me da saudade
de um tempo, em que sonhando em liberdade
Construi a protecção que usarei,
Em tempos de austeridade

Talvez seja este o tempo de conduzir o nosso destino devagar...
Talvez seja esta a oportunidade de repensar o caminho
Talvez...tenha sido uma das melhoras experiências que vivi.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Dez e meio e dois palmos de gente: Sempre na minha mente (as Luzinhas)



Olho o relógio e os ponteiros passam, a marcar horas, pelo mesmo sítio, onde, há 10 anos, o relógio digital marcou pela ultima vez um número em que só eu contava...
Um sono aparentemente igual a tantos outros e o despertar que mudou para sempre o correr, o marca passo, a importância e a noção de que o tempo nunca tem tempo suficiente para demonstrar, fazer, aperfeiçoar e afeiçoar tudo o que pretendemos proteger daí para a frente.
Podia fazer correr as teclas do computador uma noite inteira e não conseguiria descrever o que já vi acontecer dezenas de vezes mas que quando nos calha a nós, sabe sempre a felicidade num estado indeterminado; indeterminado porque não há escala nesta vida que permita comparar com qualquer outra coisa: sentir nascer de dentro de nós, para a luz, uma nova vida, que a cada minuto que corre, daí para a frente, quererá ser sempre e sempre mais independente.

E porque todas as palavras, as letras e os sentimentos não chegam para preencher o interior do ser mãe

Parabéns por seres...  


Tu, uma das minhas luzes


         


Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro nem ficas sozinha
Que luzinha tão lindinha acompanha a menina
Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro e nem ficas sozinha
Ao bébé chamaste Zé e ao ursinho Antoninho
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar?

Olha, olha esta luzinha...

Teu lado a brilhar... nem ficas sozinha...acompanha a menina...

Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar (teu lado a brilhar)
Assim nunca está escuro nem ficas sozinha (nem ficas sozinha)
Que luzinha tão lindinha acompanha a menina (acompanha a menina)
Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar (teu lado a brilhar)
Queria ter lar (ai que nome)
Que nome lhe vamos dar
Era tão bom ter um nome
Que nome lhe vamos dar?
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar?

Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...

Luzinha....


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Plic-Plec * Tic - Tac



..."...há quem fale com as paredes. Em rapaz lera um romance de um escritor então muito lido, e mais tarde injustamente menosprezado, um tipo com nível, que em certas coisas ia direito ao assunto e que nesse livro falava com o seu próprio corpo, ou antes, com um ponto bem preciso do corpo, a quem chamava o seu "ele", para entabular um diálogo que nada tinha de banal. Mas aqui o caso era outro, porque o seu "ele" não era para aqui chamado, e limitou-se por isso a dizer: perna,oh, perna! Moveu-a e a resposta foi uma dor lancinante. Não havia diálogo possível. Estendeu-a com toda a cautela e a dor concentrou-se na coluna. Coluna infame! Voltou a irritar-se. Pensou que se chamasse o médico, com o qual tinha doravante demasiada confiança, ele lhe diria que estava com um ataque de literatura, observação que já em tempos fizera. Parecia-lhe ouvi-lo: meu caro, o problema está sobretudo no facto de adoptares posições incorrectas  ou melhor, de teres adoptado em toda a tua vida posições incorrectas quando escreves, porque infelizmente o teu problema é escreveres..."...


do conto  Pic plec, plic pec *   de Antonio Tabucchi em O Tempo Envelhece Depressa













Há quem fale com as paredes. Por vezes as paredes sabem mais de nós do que aqueles que vemos todos os dias e a quem podemos estender as mãos num abrir e fechar de olhos. É muitas vezes num abrir e fechar de olhos que tudo muda. São demasiadas as vezes que, entre paredes a quem chamamos nossas,  nos sentimos melhor e quando nos faltam as paredes faltam as traves mestras que mantêm a estrutura fixa, imóvel, segura, forte.
A protecção é um conceito abstracto mas que , por motivos de sobrevivência consideramos simples e fácil de atingir. Como todas as outras coisas é projectada numa imagem que convêm manter inerte durante a vida, para que não se perca. Inerte porque se quer sem vida , já que a vida pressupõe mudança e é essa mudança que teremos sempre muita dificuldade em aceitar, mesmo que ao espelho nos vejamos como facilmente "absoventes" do que é novo.  Absorvemos, observamos, protegemos, simplesmente sufocamos, ou então adormecemos, fingindo tomar o ar que nos interessa, projectado na imagem que entretanto passou a sonho.
O sonho de uma noite de Verão ( as melhores de todas) e onde se pode falar com quem e de quem a nossa imaginação conseguir criar e aí sim podemos seguramente falar com as paredes... ti(c)-ta(c)...

sábado, 3 de novembro de 2012

Rua, passeio, estrada ou simples estação errada?



A rua era comprida, talvez demasiado ( rua, passeio ou estrada?) para quem desconhece a quantidade de passos que se deram para trás.
Olhou o mapa. Estranhamente naquele mapa não conseguia descortinar qualquer direcção visível. Tentara já volta-lo em todas as posições possíveis e nada, nada.
Sentou-se.
As folhas do chão, anunciando o Outono, formavam o tapete comum para a época. Quando teria chegado? o Outono? Não dera por ele chegar, ocupada que estava a encontrar a direcção.
Fechou os olhos.
O azul do céu colou-se ao chão e as folhas absorvendo o azul levantaram no ar, movidas por uma brisa que não sentiu. Bailavam, brincando, subindo no ar que se encheu de um azul, estranho para a estação.
Acorda!
Ah?
Acorda!
Já chegou?
Quem?
O outono?
Menina, em que mundo vives tu? Há que tempos que cá está.
Engraçado, não tinha dado por nada.
Tu nunca dás por nada.
Dou, quase sempre por nada...e paro sempre numa qualquer estação errada.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Iluminando as horas...




..."Um barco aporta no rio,
Um homem morre no esforço,
Sete colinas no dorso
E uma cidade p'ra mim.

Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p'ra ti.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me"....


Pedro Abrunhosa - Ilumina-me


Toda a gente quer chegar, ninguém sabe bem onde, mas quer
é quase como um volver, sem saber o que querer...
Falta-nos luz, falta-nos um onde e um porquê
...vamos andando... até quando...
mas vamos... imaginando não morrer
vamos, imaginando um sempre mais arder,
num peito que pensa, enchendo de razão
o lugar do coração...
vamos...
ardendo, num lume de meter medo
esperando um amanhã iluminado
tal como o imaginado
amado
suado
forçado,
sofrido
carregando no sonho a luz
 de um futuro a fazer jus
ao que se caminhou,
ao que não se alcançou..

gosto da vida, mesmo que sofrida:
ilumina-me as horas,
torna-me a felicidade tão comprida
que faz esquecer todas as complicadas demoras...

Um ajuste nas contas
de quem não conta
com as rasteiras
e as asneiras
que a vida nos apronta... 









sábado, 29 de setembro de 2012

Foi Deus?

                                   





Pergunto-me demasiadas vezes demasiadas coisas, e só me ficam as certezas quando me dão as respostas. As perguntas certas nem sempre são feitas e por isso as respostas não satisfazem. Lutamos dia a dia em conjunto ou solitários por aquilo que queremos. Mas será que foi isso que escolheram para nós? Se acreditarmos que somos donos do nosso destino, tudo nos é possível. Mas seremos mesmo? tanto destino que por aí anda, coincidindo em quereres, objectivos, desejos...um passo em falso e viramos a esquina para o lado "errado" encontrando alguns rostos e perdendo o rasto a outros, baralhando as respostas das perguntas que ficaram por fazer.

Tudo nos será possível ou a possibilidade é toda a certeza que poderemos alguma vez entender??

                                         
                                                    " Foi deus
                                                  Que deu luz aos olhos
                                                       Perfumou as rosas
                                                             Deu oiro ao sol
                                                                  E prata ao luar





Foi deus
      que deu voz ao vento
             luz ao firmamento
                   e deu o azul às ondas do mar
                                                               
                                                            Foi Deus...

                                                           

                                                                  
 
                                                 
       ( excerto do fado -Foi Deus -composição de Alberto Janes para Amália)*



Foste tu?
Foste tu que baralhaste os caminhos?
Foste tu que separaste os nós e enleaste os cadilhos, formando assim os trocadilhos?
Foste tu que baralhaste as cartas e depois cortaste a mão jogando à sorte qualquer um dos naipes?

Foste tu que puseste a pedra no meio do troço?
Foste tu que separaste as gentes e lhe deste a voz para que se juntassem de novo?
Foste tu?

És tu que crias as perguntas?
És tu que as respondes?
Mas se as perguntas já foram feitas, de que vale a resposta, se já a deste, desde o início dos tempos?

Foste tu?
Foste tu que nos puseste a caminhar lado a lado , criando cordões humanos que te perguntam, porquê?


És tu?

                                                   O QUE ME PERGUNTAS?

                                  Sem ouvir a pergunta, jamais saberei dar a resposta....


                                                         "Se canto
                                                 não sei o que canto
                                                 misto de ventura
                                                 saudade, ternura
                                                  e talvez amor..." *


Se és tu que crias o veneno, porque tens o antídoto?
Se a cada passo, percorro o caminho que me deste, porquê tanto obstáculo até ao fim...

Onde vais Senhora?











domingo, 23 de setembro de 2012

Pinturas de Sonhos





Nem sempre as coisas me saem da melhor forma. Não sei se convosco acontece da mesma maneira, mas demasiadas vezes durante estas 20 ( não...35) primaveras, as coisas não correram como eu pensei que iriam correr. Lembro-me por exemplo ( ou lembraram-me há pouco tempo) de uma vez em que, num feliz aniversário de uma amiga, a diversão da festa foi passeio a cavalo. A santa da égua tinha uma paciência invejável, e à vez, davamos voltas em frente do monte, montando e desmontando o animal durante horas. Ora numa das vezes que me calhou a dita volta, encaminhei a pobre égua, que já estava desgastada e faminta de tanta volta, para perto da local da ração. Pensando que tinha chegado a hora de comer , a dita cuja começa a correr desenfreadamente e a pobre da cavaleira ( neste caso eu ) teve que se agarrar com unhas e dentes, a tudo e mais alguma coisa, em cima do bicho, para não cair.
Juro-vos, foi a vez que vi o chão em movimento mais perto do nariz, mas não caí!

É verdade que passamos uma fase muito má, também é verdade, e sei que muitos de nós assim o sentimos,  que não foi nada disto que planeámos para as nossas vidas. Mas a vida é mesmo assim, pouco ou nada é permanente e vamo-nos adaptando e moldando ás situações, tentando sempre pintar da melhor forma, aquilo que nos calhou como resultado das nossas escolhas. E mesmo quando a pintura não fica a nosso gosto, temos que nos agarrar com unhas e dentes à vida, a soluções, a outras formas de ver o que está à nossa frente, lutando sempre por algo melhor ou que nos satisfaça mais.


Deixo-vos a pintura que fiz na mão, uma imagem... A arte, a beleza, os objectivos são diferentes em cada um de nós, mas numa coisa todos somos iguais: queremos ser. Feliz somente.


"...Em cada grito da alma
    eu sou igual a ti
    de cada vez que um olhar
    te alucina e te prende
    tu és igual a mim

    Fazes pinturas de sonhos
    Pintas o sol na minha mão
    E és mistura de vento e lama
    Entre os luares perdidos no chão..."

                    TATUAGENS - Mafalda Veiga




sábado, 15 de setembro de 2012

O inesquecivel ano de 2012




Ontem foi o ultimo dia de ferias ou, conforme a perspectiva que se preferir, o primeiro dia de aulas de um novo ano lectivo.  Eu tive a casa cheia ( adoro uma casa cheia). E' bom ver os miudos brincando, simulando vidas, jogando o futuro em brincadeiras que demonstram a capacidade  do que a esperanca ainda lhes pode oferecer. Passam de um concerto para uma sessao de anedotas, parando em frente a televisao para jogar as capacidades desportivas fazendo-se passar por qualquer super-heroi em disputa por um  primeiro lugar e assim conquistarem a admiracao e o respeito uns dos outros, sem sairem do mesmo lugar.
Enchem-me de alegria saber que o futuro mantem a esperanca viva. Eles nao sabem, nem tem ainda nocao ( e ainda bem) de todo o esforco que esta por tras, para que a vontade  de continuar se mantenha presente. Para eles crise, e' nao poderem adquirir qualquer objecto reluzente que lhes salte aos olhos. Simples assim.
Pergunto-me algumas vezes em quantas bocas nao tera a crise o mesmo significado. Porque e muito facil nao saber medir o esforco dos outros quando a nossa propria regua de medicao tem uma escala completamente oposta ou se encontra baseada em valores diferentes .
Diferenca, eis um ponto fulcral que e preciso aprender ( e ensinar) a respeitar.
Por isso adoro uma casa cheia, adoro te-los por ca, cada um com os seus gostos, com as suas manias, com os seus defeitos, que juntos aprendem a saber respeitar e apreciar uns nos outros, respeitando as qualidades de cada um e experimentando todos um pouco daquilo que cada um faz melhor ou menos bem.
Enquanto puder ( e eles quiserem) quero te-los por aqui, bem perto, na minha alegre postura de kanguru,  onde posso sempre protege-los dentro da bolsa de marsupial. Sim, porque cada ano e' um novo caminho que eles vao encetando para fora da minha bolsa e espero que quando tiverem que andar sozinhos e fora dela estejam preparados para enfrentar este mundo dificil que construimos e que lhes vamos deixar .
Por enquanto preocupo-me em alegrar um pouco os dias e mostrar-lhes que para sermos felizes, temos que aproveitar todos os momentos juntos, como se nao houvesse amanha...e que depende exclusivamente deles a capa que usarao para vestir a sua propria vida.

" Yeah, you could be the greatest
  You can be the best
  You can be the king kong banging on your chest
You could beat the world
You could beat the war
You could talk to God, go banging on his door
You can throw your hands up
You can beat the clock
You can move a mountain
You can break rocks
You can be a master
Don't wait for luck
Dedicate yourself and you can find yourself "
                               Hall of fame ( feat will.i.am) - The Script

terça-feira, 24 de abril de 2012

Um exercício de direito: aprender a liberdade



E estamos na véspera do grande dia. Entramos enfim pela madrugada que gerou os filhos da liberdade e pelos vistos entramos a correr, mas não todos. Enquanto uns correm ( atrás ou à frente??!!!) à liberdade, outros, na ânsia de exercerem a sua, passam fome.

Passo a explicar,

constituição da república portuguesa diz no seu artigo 9º que as tarefas fundamentais do Estado são:



Artigo 9.º
Tarefas fundamentais do Estado
São tarefas fundamentais do Estado:
a) Garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam;
b) Garantir os direitos e liberdades fundamentais e o respeito pelos princípios do Estado de direito democrático;
c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais;
d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais;
e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o ambiente, preservar os recursos naturais e assegurar um correcto ordenamento do território;
f) Assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa;
g) Promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional, tendo em conta, designadamente, o carácter ultraperiférico dos arquipélagos dos Açores e da Madeira;
h) Promover a igualdade entre homens e mulheres.



e no seu artigo 13º ( que numero esquisito, é azar....)

Artigo 13.º
Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.


Ora porque é que numa vila tão encantadora como esta em que eu nasci


em que as diferentes cores da autarquia se têm esforçado por dotar , com o dinheiro dos seus munícipes, tal como está previsto na constituição, de óptimas infra-estruturas de apoio à cultura e ao desporto, quando é necessário fazer alguma prova de maior visibilidade ou interesse publico esta mesma prova se realiza sempre ( e quando digo sempre, ultimamente é mesmo sempre!) ao fundo do jardim, ou em seu redor??? Para que serve então o complexo desportivo municipal (?) 

Eu sei que sou uma minoria, que o grosso da população trabalha de 2ª a 6ª, com um horário normal e definido, mas eu também vivo cá ( HELLLO!!!) e por acaso até trabalho com horários rotativos e sem dias de descanso certos e por acaso gosto de quanto estou a chegar, faminta, a casa,  poder ter acesso a ela. 

É que não são uma nem 3 são muitas, muitas vezes aquelas em que devido ao intenso programa desportivo e cultural ( que apoio e incentivo - e agora não estou a ser irónica) sou literalmente proibida de me chegar ao meu cantinho, ao meu repasto, ao merecido descanso da guerreira!



Pois é! amanhã é o dia da liberdade, mas como eu estou continuamente a repetir desde que me lembro de mim por gente ( coisas que me ensinaram, o que querem...) a liberdade de uns termina quando começa a liberdade dos outros e eu que trabalho, pago os meus impostos e contribuo como posso para a efectiva democratização desta nação à deriva tenho direito a correr atrás daquilo que mais me apraz!!



E se não concordarem comigo façam um favor à minha inteligência : 

Multem-me!!!

 Se é coisa que eu prezo muito é a minha liberdade de pensamento. E tenho dito. 

E como não poderia deixar de ser aqui vos deixo uma das coisas que mais gosto: 


MÚSICA , CULTURA E UMA HOMENAGEM À LIBERDADE




Viva Portugal ( e já agora, deixem viver ) 






quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mistica??

E mantendo a música no ar, parece que os Cure vão voltar a Portugal:  ainda bem (!), porque estamos definitivamente a necessitar de uma cura. Num país onde os políticos se esquecem facilmente da finalidade das funções para que foram elegidos, perdendo mais tempo em discussões politicas do que em ações efectivas que dignifiquem as suas funções e auxiliem os cidadãos, não admira que já nem os clubes de futebol consigam decidir se o melhor é ser agressivo ou imaginativo...






segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Tubos de ensaio

Pegando no post imediatamente anterior, dou-vos desta música mais que batida e rebatida. O que vale é que a nossa língua é muito traiçoeira e bastante dada à brincadeira, e existem várias formas de se utilizarem as novas tecnologias :



domingo, 15 de janeiro de 2012

Estranhamente idealista



Não sei se vos acontece, mas a mim acontece-me frequentemente. Esqueço-me do que ia dizer. Neste caso escrever. Já tinha o texto preparado, o fio condutor definido e de repente " puuufff" esvaiu-se-me a "alembradura".
As pessoas são estranhas!
Consegue-nos passar um numero ilimitado de pensamentos pela mente em muito poucos segundos e talvez seja a velocidade dessa criatividade que nos faça muitas vezes reagir estranhamente a algumas situações. Ou não, e essas reacções sejam apenas fruto de nossa intrínseca disparidade e variedade e do excesso de velocidade a que tudo ocorre nos nossos dias...
Somos fruto do que nos rodeia, do que nos condiciona e daquilo que nos ensinaram, mas somos também fruto do nosso próprio pensamento, das nossas ideias e das nossas decisões, e é aqui que se expressa a individualidade de cada um. Porque o que eu penso não é igual ao que tu pensas e se eu quero que tu aceites aquilo que eu penso, tenho que aceitar a forma como tu vês, o que eu vejo de modo diferente:

Estranho?? Não! é apenas a porta principal para a tolerância...e o inicio do fim do medo do desconhecido



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Licenciando uma boa onda

E num tempo em que toda a gente nos parece querer dar música, o melhor é compartilhar a boa música com os amigos:




E tentar fazer da vida um pequeno paraíso...