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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Uma meia dúzia de anos


Chegaste. Fruto da obstinação que me caracteriza, quase tão bom ou tão mau como se tem de bom ou mau ser teimoso. Marcaste a diferença: as noites, cansadas de choros e preocupações veladas, de um silencio impresso, precioso, sendo rasgadas por outros tantos gritos de quem buscava atenção, passaram para um silencio calmo, que quase preocupava pela serenidade, estranha, da novidade de passarem a inteiras, dormidas.


Trouxeste no sorriso fácil, a simplicidade com que me dás a volta com tão pouco.  Habituada que estava a fazer valer a minha imposição após instantes de luta desafiada, mais e mais, até que tudo acaba com uma capitulação minha, geralmente por cansaço, ou com um estridente puxar de cordas vocais em jeito de ditadura. Tudo para ti é fácil e se não se consegue com um chorinho e olhinhos mansos ou recorrendo a um irmão, mais velho e grande, que saiu à mãe na sua obstinação em fazer valer a posição que defende, não se consegue e ponto! Simples, assim...O ou é tudo ou então não quero nada não vale para ti, és mais pacífico do que toda a tempestade que se consegue fazer dentro do copo de água que é a nossa família e mais teatral ( com os teus olhinhos de mansidão e birrinhas de criança, que sempre serás...) na tua naturalidade mimada.


Suspeito que, na parte que te toca, até ao teu irmão já sabes dar a volta e lutas, pacificamente, pelo teu próprio espaço, encaminhando devagar o pavio curto que provoca por vezes muita chama, só para que se vejam fogos de artifício.

De uma escolha, são vocês o meu grande desafio. Dei-vos o primeiro dia, faremos, enquanto podermos, o resto das nossas vidas. Uns e outros, por seus caminhos, nas diferenças e nas parecenças, juntos, para o que cá houver...


terça-feira, 19 de março de 2013

Audições e apresentações num dia especial






 Ontem foi dia de audições de Inverno. Fez-me lembrar duas meninas, há muito tempo, no salão nobre dos bombeiros.
Não sei se foi nessa altura que me começou esta mania que tenho de detestar palcos...deve ter sido..
De qualquer forma, cuido para que os meus pequenos vejam o palco como um chão subido, onde possam sempre demonstrar tudo o que sabem, o que conseguem fazer e o que se esforçam por conseguir ( o meu agradecimento  aos professores da escola de artes de sines pelo empenho e dedicação que têm demonstrado neste percurso)


Os tempos vão mudando e as preocupações são agora diferentes do que eram, sem dúvida!
De qualquer das formas é àqueles que se preocupam connosco que devemos toda a gratidão por nos ajudarem a chegar mais longe, com mais vontade e seguros das escolhas que fizemos.

A vida nem sempre é facil! Lidar com as nossas (minhas) explosões ( leia-se mau feitio desgraçado!) de certo que deve ser bem pior do que engolir uma maçã envenenada...






Mas é precisamente a esses que agradeço
toda a paciência que têm para aturar
este "monstrinho" demasiadas vezes adormecido

=)












Feliz dia Papá, és o melhor de todos os mundos !!!

e porque eu sei que estas coisas internáuticas são difíceis para ti, ponho aqui para que possas vê-lo bem =)








quarta-feira, 13 de março de 2013

N` A Companhia de Jesus

Habemus Papam!




Veio do "fim do mundo". Denominou-se Francisco, o primeiro a fazê-lo na longa história da Igreja católica, Jesuíta . Tem como raízes de nome e de congregação o dever da educação, da evangelização missionária e sobretudo da humildade...

e até tem facebook

Parece que Deus, na sua misteriosa grandiosidade, ouviu o que o que lhe pedi. Esperemos que o homem lhe siga as vontades...

Um Jesuíta tem como dever iluminar o mundo através da educação para a humanização. Um latino-americano deve, como legado ás suas origens, conhecer as dores e as necessidades daqueles que vivem todos os dias no limiar do pouco mais que nada. Partilhar é preciso, humanizar é necessário, trazer a felicidade ao coração das gentes uma mais valia necessária em tempos de crise. Nós, católicos e habitantes da aldeia global, damos-te a nossa benção! Bendito Sejas.




Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Oração de São Francisco de Assis 

E só por acaso uma das minhas favoritas =) ....



sexta-feira, 8 de março de 2013

Verdadeiramente mulher

paridade
(latim paritas, -atis)


s. f.
s. f.

1. Qualidade do que é par.DISPARIDADE, IMPARIDADE

2. Qualidade do que é igual ou semelhante. = ANALOGIA, PARECENÇA
3. [Economia] [Economia] Equivalência ao curso cambial das moedas entre dois países ou duas praças cambiais.
4. [Matemática] [Matemática] Propriedade de um número em relação a ser par ou ímpar. = PARILIDADE
5. [Portugal: Alentejo] [Portugal: Alentejo] Rebanho de coelhas paridas.



(é sempre bom saber, que no Alentejo, paridade significa um rebanho de coelhas paridas ??!!)

Apesar de se encher a boca e dela saltarem, com expressões até musicais, as palavras igualdade e fraternidade, os números não mentem...





Começámos há cerca de 2 séculos a lutar pela igualdade e hoje, ainda a caminho, permitam-me transformar o conceito e ajeitá-lo à nossa própria feminilidade, dando-lhe o nome de paridade.

Somos diferentes ( pois claro que somos) tanto em género, como angulo de visão, mas lutamos, quando nos permitem, exactamente pelos mesmo objectivos: uma vida melhor, seja lá qual for a percepção que tenhamos disso. Continuo a não concordar com os sistemas de quotas, mas acredito serem necessários para manter a tal paridade , já que qualquer carreira ou qualquer entidade patronal, ao considerar uma mulher deve, para bem de todos nós, ter em consideração a nossa mais especifica qualidade: a maternidade;  infelizmente a competitividade muitas vezes não considera o tempo necessário e essencial para estabilizar fortificar os laços permitindo um crescimento saudável e a estabilidade emocional do novo conjunto familiar.




Nenhum dos poderosos desta vida nasceu sem ter uma mãe ( até Jesus necessitou de uma!), embora qualquer ser humano possa tomar conta de outro. Mesmo que as próprias mulheres, na ânsia da apregoada igualdade, se queiram androgenizar e muitas vezes incorporar comportamentos tipicamente masculinos, a maioria, apesar de valorizarmos muito os nossos direitos, não dispensa os característicos tiques de feminilidade que nos caracterizam.

Mudar comportamentos é dificil, já o sabemos, e são necessários anos até que qualquer ruptura tenha efeitos visiveis nas forma de agir, trilhando-se por vezes caminhos errados na ânsia da conquista não se sabe muito bem do quê... Passar de protegidas a donas e senhoras do próprio destino implica responsabilidades e esforços que muitas de nós não estão ainda dispostas ou não sabem como  assumir. Tal como a sociedade civil teima em desresponsabilizar-se de muitos dos problemas existentes, passando para as mãos de outros a resolução dos ditos, também muitas de nós preferem ainda a procura da proteção e da segurança que supostamente nos trará a felicidade. Mas o mundo mudou e a felicidade, hoje, implica uma série de conceitos que não eram tidos em conta antiguamente e que estão essencialmente ligados à realização pessoal.

Sim! uma mulher não é só mãe, nem esposa, nem dona de casa, mas também não é só moda, compras e consumismo. Tal como qualquer homem, temos objectivos, esperanças e sonhos que vão muito para além da maternidade e que têm que ser respeitados pelos nossos pares, sem que para isso seja preciso perder as tão preciosas caracteristicas femininas.

Somos pilares de sobrevivência. Durante séculos fomos as operárias, muitas vezes invisiveis e maltratadas pela história, que permitiram o sucesso de muitas campanhas: a mão que cura , que alimenta, a fada que reequilibra as forças.  Não deve ser à toa que a sabedoria popular - que trás muitas vezes o conhecimento prático da vida e a certeza de que em qualquer altura se podem alterar
os principios e os fins de tudo - diz que por trás de todo a grande Homem está sempre uma grande Mulher ( querem melhor exemplo de paridade??? e já se sabe ...qualquer alentejano que se preze tem um cruzamento muito sexual entre o parir e a verdade =P )



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

um síndrome viral

Neste momento sinto-me, mais ou menos, como um frango no espeto a dar voltas!




Uma parte apanha frio, outra esturrica, ora bem não estou a bater o dente, ora estou a alagar-me em água! Esta coisa de que determinadas situações só acontecem aos outros, não é bem assim...Ora venham-me lá dizer que por ser enfermeira, não tenho direito a ser uma piegas de primeira quando me sinto doente, venham, venham!... Logo vêm a resposta que levam...



Mas da forma como as coisas começaram este ano, bolas pá! também não era preciso tanto para demonstrar que ia ser difícil!

O que vale, é que apesar dos pesares, os portugueses continuarão sempre a ser os mesmos "idiotas".

As melhoras para mim! =D

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ar ... de natal




E, por esta altura do campeonato ( perguntarão vocês) será que ela se
esqueceu que é Natal?

Na verdade estava à espera da chegada do Inverno, e do seu manto alvo
de beleza e mansidão, para vestir o " sítio" com roupagens
apropriadas. Depois lembrei-me que a chegada do Inverno, este ano,
coincide com mais uma mágica e apocalipitica previsão de fim de
mundo.
Bom, pelo sim pelo não, considero mais prudente " vestir-me"
antecipadamente não vá o dito cujo chegar, sem que eu vos deseje :

Um bonito, desenrascado, imaginativo e alegre

FELIZ NATAL


                                  =D

domingo, 16 de dezembro de 2012

Aprender a voar




Quando as rochas derreterem,
e as ilhas se cobrirem com o sumo da vida,
quando o vento assobiar às tempestades,
deixando  as nuvens de chorar o seu tormento
Eu aprenderei a voar
para salvar as crianças
das marcas do passar do tempo

«««««««««««««««««««««««««««««««

ela queria aprender a voar,
aproximou-se,
espreitou pela janela e viu o mundo a brincar sem ela.

abriu os braços e atirou-se:
o chão é duro
o pó levantou, com o peso do corpo
em redor
tudo ficou turvo, os sentidos perderam-se
nada parecia ser o que fora

O chão é duro,
mas é certo o seu lugar
e a menina aprendeu
que os humanos não podem voar

ela queria aprender a voar,  devagar,
a estrada é muito suja, e começou sozinha...

intacta, ela continua,
a estrada há-de chegar...

Um dia


 







Para o menino que queria chegar a Marte ... já passei a fase da lua ... =)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

No patamar do céu



Chove lá fora.

Cá dentro as lágrimas caem dos rostos sem brio, amarrotados como de
papel reciclado se tratassem: se nos tratatassem...

Foi assim por entre as luzes do azul e do fluorescente, entre branco
aguerrido que a vida deu a volta. Nas voltas por entre as vidas, o
futuro, cria: pintar a amarelo.

Mas tal como se colhermos uma papoila do mato onde nasce , selvagem
sem a mão humana, também o futuro não se deixa pintar por qualquer
mão. Cria-se. Cria-se um futuro por entre os passos, como se um tango
ou uma valsa se tratasse...

...e o piano prime as teclas, na sonolenta melodia, comprimem-se as
dores, e o futuro passa...passa-se...

Chega.

....de um fabuloso destino, a papoila conjuga as cores, as dores...

e na leveza, entre a alma e outras almas, chegaremos por fim, ao
patamar  de um nosso céu.




*Ana Lúcia Bica ( Tita)*

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Nós: dos grandes





" A Mininha disse: antes de um vulcão explodir, as cobras afastam-se, e se houver um rio ou mar no caminho, as cobras afogam-se. A Matilde baixou-se aos olhos da cria e limpou-lhe uma bágoa. A rapariga explicou: parece que vai tudo explodir. O medo fazia-se assim. Um medo feito de tristeza que tornava a menina arreliada numa pessoinha a vacilar"...

                                                                                     in O Filho de mil homens - Valter Hugo Mãe

" A companhia de verdade, achava ele, era aquela que não tinha por que ir embora e, se fosse, ir embora significaria ficar Ali, junto " ...

                                                                                      in O Filho de mil homens - Valter Hugo Mãe


Deixar ir é mau costume: já dizia a minha tão querida avó ( minha querida é mais uma das coisas em que não estávamos de acordo, e ainda bem que não concordávamos em tudo )  Na minha entendência saber deixar ir é também uma grande forma de se amar: há que saber deixar os filhos abrir asas e voar como se passarinhos fossem, procurando os galhos com que construirão seus próprios ninhos; há que deixar ir aqueles que gostamos, mesmo que contra a nossa vontade, desde que eles achem que vão para onde os seus sonhos se pareçam com o seu eu, como se de um olhar ao espelho estivéssemos a falar; Há que deixar partir com a paz da certeza do que sentimos, para que não restem dúvidas das intenções.

É por isso que vou, porque a vida é feita de ciclos e porque tal como na profecia Maia, houve um ciclo do meu crescimento que se fechou. Talvez que já não cresça em altura ( bem me parece que daqui só para baixo) mas o crescimento pessoal tal como a procura da sabedoria nunca terá um fim. O ciclo fechou porque não me restam dúvidas sobre as intenções, apenas do caminho a trilhar, para alcançar o próximo patamar.

Nós: os grandes ( para usar uma das expressões do meu mais velho) , somos complicados; mas é essa complexidade que nos faz escorrer de dentro uma nascente de pensamentos, que se transformam na expressão mais artística e sensível da beleza da humanidade. Uma irmandade que se une na conquista da beleza e da pureza de um pensamento livre, para combater as complicadas redes de interesses pessoais que se atravessam nas marés da vida: é este o trajecto da  nossa existência;  uns que apoiam, outros que por sua vez são atraiçoados por outros ainda, que pretendem um pouco daquilo que sonham ser o ter de outros (?; complicado? pois... e não disse que os nós eram complicados? )

Talvez a vida deva ser simplesmente como um nascer de sol : recomeça todas as manhãs, dando a cada dia uma luminosidade diferente, mas dentro dos mesmos tons, porque são esses os seu favoritos. Haverá alguma coisa mais bonita num dia do que o seu nascer? Então para quê complicar?


E tal como diz o meu mais pequeno, desolado a olhar para o relógio ( que por estar parado, lhe parece que não avança) : não se mexe...
Não faz mal filho, se tiveres paciência ele há-de estar certo, pelo menos uma vez ao dia.

Nós, os grandes, sempre que deixarmos escapar as pequenas coisas importantes, estaremos a ser cada vez menos nós.








quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Dez e meio e dois palmos de gente: Sempre na minha mente (as Luzinhas)



Olho o relógio e os ponteiros passam, a marcar horas, pelo mesmo sítio, onde, há 10 anos, o relógio digital marcou pela ultima vez um número em que só eu contava...
Um sono aparentemente igual a tantos outros e o despertar que mudou para sempre o correr, o marca passo, a importância e a noção de que o tempo nunca tem tempo suficiente para demonstrar, fazer, aperfeiçoar e afeiçoar tudo o que pretendemos proteger daí para a frente.
Podia fazer correr as teclas do computador uma noite inteira e não conseguiria descrever o que já vi acontecer dezenas de vezes mas que quando nos calha a nós, sabe sempre a felicidade num estado indeterminado; indeterminado porque não há escala nesta vida que permita comparar com qualquer outra coisa: sentir nascer de dentro de nós, para a luz, uma nova vida, que a cada minuto que corre, daí para a frente, quererá ser sempre e sempre mais independente.

E porque todas as palavras, as letras e os sentimentos não chegam para preencher o interior do ser mãe

Parabéns por seres...  


Tu, uma das minhas luzes


         


Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro nem ficas sozinha
Que luzinha tão lindinha acompanha a menina
Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro e nem ficas sozinha
Ao bébé chamaste Zé e ao ursinho Antoninho
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar?

Olha, olha esta luzinha...

Teu lado a brilhar... nem ficas sozinha...acompanha a menina...

Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar (teu lado a brilhar)
Assim nunca está escuro nem ficas sozinha (nem ficas sozinha)
Que luzinha tão lindinha acompanha a menina (acompanha a menina)
Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar (teu lado a brilhar)
Queria ter lar (ai que nome)
Que nome lhe vamos dar
Era tão bom ter um nome
Que nome lhe vamos dar?
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar?

Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...

Luzinha....


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Plic-Plec * Tic - Tac



..."...há quem fale com as paredes. Em rapaz lera um romance de um escritor então muito lido, e mais tarde injustamente menosprezado, um tipo com nível, que em certas coisas ia direito ao assunto e que nesse livro falava com o seu próprio corpo, ou antes, com um ponto bem preciso do corpo, a quem chamava o seu "ele", para entabular um diálogo que nada tinha de banal. Mas aqui o caso era outro, porque o seu "ele" não era para aqui chamado, e limitou-se por isso a dizer: perna,oh, perna! Moveu-a e a resposta foi uma dor lancinante. Não havia diálogo possível. Estendeu-a com toda a cautela e a dor concentrou-se na coluna. Coluna infame! Voltou a irritar-se. Pensou que se chamasse o médico, com o qual tinha doravante demasiada confiança, ele lhe diria que estava com um ataque de literatura, observação que já em tempos fizera. Parecia-lhe ouvi-lo: meu caro, o problema está sobretudo no facto de adoptares posições incorrectas  ou melhor, de teres adoptado em toda a tua vida posições incorrectas quando escreves, porque infelizmente o teu problema é escreveres..."...


do conto  Pic plec, plic pec *   de Antonio Tabucchi em O Tempo Envelhece Depressa













Há quem fale com as paredes. Por vezes as paredes sabem mais de nós do que aqueles que vemos todos os dias e a quem podemos estender as mãos num abrir e fechar de olhos. É muitas vezes num abrir e fechar de olhos que tudo muda. São demasiadas as vezes que, entre paredes a quem chamamos nossas,  nos sentimos melhor e quando nos faltam as paredes faltam as traves mestras que mantêm a estrutura fixa, imóvel, segura, forte.
A protecção é um conceito abstracto mas que , por motivos de sobrevivência consideramos simples e fácil de atingir. Como todas as outras coisas é projectada numa imagem que convêm manter inerte durante a vida, para que não se perca. Inerte porque se quer sem vida , já que a vida pressupõe mudança e é essa mudança que teremos sempre muita dificuldade em aceitar, mesmo que ao espelho nos vejamos como facilmente "absoventes" do que é novo.  Absorvemos, observamos, protegemos, simplesmente sufocamos, ou então adormecemos, fingindo tomar o ar que nos interessa, projectado na imagem que entretanto passou a sonho.
O sonho de uma noite de Verão ( as melhores de todas) e onde se pode falar com quem e de quem a nossa imaginação conseguir criar e aí sim podemos seguramente falar com as paredes... ti(c)-ta(c)...

domingo, 14 de outubro de 2012

As várias formas de dizer: amo-te



No caminho para o modelo (ou continente se preferirem as constantes actualizações de marketing) encontrei esta maravilha e fotografei-a, porque me fascinou.
Fascinam-me as ideias, algumas delas aparentemente sem sentido, que o ser humano arranja para demonstrar o que lhe vai la dentro.
Este apaixonado escolheu baldes de lixo como pano de fundo (ou outdoor) para demonstrar o que sentia.

A duvida tem-me perseguido desde então. Será que rosa compreendeu a nobreza da atitude ( apesar de serem baldes de lixo? ) Será que ela percebeu que o seu apaixonado escolheu uma forma totalmente diferente e só por isso mais chamativa para lhe confessar o que provavelmente de outra maneira não a conseguiria fazer entender? Será que a rosa chegou a perceber que era A Rosa e retribuiu? Ou será que um dia ainda irei encontrar escrito, num outro qualquer lugar insólito, a resposta da Rosa, que talvez, também incapaz de se expressar de outra forma, escreverá algures por ai, num outro mural improvisado:

Também te amo, Ze !

Com tanta hipótese imaginativa de se demonstrar o que se sente, de forma tao "subtil" e engraçada, quem é que necessita de facebook?

Talvez seja este o novo paradigma do graffiti ...

sábado, 29 de setembro de 2012

Foi Deus?

                                   





Pergunto-me demasiadas vezes demasiadas coisas, e só me ficam as certezas quando me dão as respostas. As perguntas certas nem sempre são feitas e por isso as respostas não satisfazem. Lutamos dia a dia em conjunto ou solitários por aquilo que queremos. Mas será que foi isso que escolheram para nós? Se acreditarmos que somos donos do nosso destino, tudo nos é possível. Mas seremos mesmo? tanto destino que por aí anda, coincidindo em quereres, objectivos, desejos...um passo em falso e viramos a esquina para o lado "errado" encontrando alguns rostos e perdendo o rasto a outros, baralhando as respostas das perguntas que ficaram por fazer.

Tudo nos será possível ou a possibilidade é toda a certeza que poderemos alguma vez entender??

                                         
                                                    " Foi deus
                                                  Que deu luz aos olhos
                                                       Perfumou as rosas
                                                             Deu oiro ao sol
                                                                  E prata ao luar





Foi deus
      que deu voz ao vento
             luz ao firmamento
                   e deu o azul às ondas do mar
                                                               
                                                            Foi Deus...

                                                           

                                                                  
 
                                                 
       ( excerto do fado -Foi Deus -composição de Alberto Janes para Amália)*



Foste tu?
Foste tu que baralhaste os caminhos?
Foste tu que separaste os nós e enleaste os cadilhos, formando assim os trocadilhos?
Foste tu que baralhaste as cartas e depois cortaste a mão jogando à sorte qualquer um dos naipes?

Foste tu que puseste a pedra no meio do troço?
Foste tu que separaste as gentes e lhe deste a voz para que se juntassem de novo?
Foste tu?

És tu que crias as perguntas?
És tu que as respondes?
Mas se as perguntas já foram feitas, de que vale a resposta, se já a deste, desde o início dos tempos?

Foste tu?
Foste tu que nos puseste a caminhar lado a lado , criando cordões humanos que te perguntam, porquê?


És tu?

                                                   O QUE ME PERGUNTAS?

                                  Sem ouvir a pergunta, jamais saberei dar a resposta....


                                                         "Se canto
                                                 não sei o que canto
                                                 misto de ventura
                                                 saudade, ternura
                                                  e talvez amor..." *


Se és tu que crias o veneno, porque tens o antídoto?
Se a cada passo, percorro o caminho que me deste, porquê tanto obstáculo até ao fim...

Onde vais Senhora?











domingo, 3 de junho de 2012

Os guardadores do futuro e dos sonhos

Talvez este post venha um pouco fora de horas ou talvez tenha chegado mesmo na hora certa, o porquê de certas coisas acontecerem em determinados momentos é um mistério para mim, ainda!

Lembro-me, embora já com algumas lacunas, do dia da inauguração da Ludoteca: lembro-me de entrar dentro das instalações pintadas de fresco e ver aquelas miniaturas de mobilias, como se tudo fosse um mundo desenhado à medida que eu tinha naquele tempo. Já nessa altura era uma das caractereisticas daquele espaço, oferecer-nos a nós, crianças de então, as ferramentas necessárias para nos ensinar a pensar e a criar um espirito crítico em relação ao mundo.

Lembro-me das oficinas de leitura, em que nos eram lidos livros que nos faziam sonhar. Foi aí, através da voz da D. Camila que a vida me apresentou o Constantino . Ontem voltei a encontrá-lo. Os anos passaram, o espelho diz-me constantemente que já não sou uma criança ( embora a cabeça teime em deixar-se convencer!!)  e os meus próprios filhos relembram-me diariamente o que mudou e o que nunca muda na lei da vida. Mas como eu dizia, ontem encontrei de novo o Constantino e, quem diria, exactamente no mesmo sitio onde o conheci pela primeira vez.




 Com a conceção e adaptação de Maria Manuel Costa ( a Mané ) o constantino ganhou vida dentro do espaço da ludoteca, pela voz e interpretação dos nossos meninos. E não existem melhores palavras do que as da própria Mané ( expressas nas follha de sala) para descrever o que aconteceu:

« Constantino é o primeiro "Produto para o Público" da Oficina de Teatro que teve ínicio este ano lectivo na Ludoteca:Durante meses, as crianças tiveram uma hora semanal de expressão dramática/ interpretação. Queríamos mostrar um pouco daquilo que aprendemos até aqui, pois as aprendizagens a fazer não se esgotaram neste primeiro ano de projeto. Mas que peça apresentar-vos? Confesso que a escolha não foi fácil...Foram muitas e muitas horas dedicadas à escolha de texto... Mas o Constantino " Raça de Moço" estava cá guardado desde o meu 5ª ano, quando, às segundas-feiras , o liamos em voz alta na aula de portugês coma professora Clementina.
Era ele que  havia de  me arrebatar novamente o coração, e lancei mãos à tarefa de o adaptar para teatro e paraos meus muito queridos " atores".  Espero que ele vos transporte por momentos, aessa ruralidade da segunda metade do século passado, onde, se por um lado a realidade mostrava a estes meninos que a 4ª classe , a escolaridade a que podiam aspirar, o contacto com a natureza e a ligação aos outros os levava a viver pequenas/grandes aventuras e sonhar... Realidades tão distantes dos " nossos atores" mas tão presentes ainda na nossa memória coletiva. Destes " retratos" tão maravilhosamente criados por Alves Redol, espero que o nosso Constántino tenha conseguido reter alguma das suas cores .
Não posso deixar de fazer alguns agradecimentos. Em primeiro lugar à Junta de Freguesia, que, felizmente, entende que as artes, em particular neste caso, o teatro, é fundamentalpara a formação global dos indivìduos. Aos pais, que permitiram aos seus filhos embarcar nesta aventura, ao Carlos Cardoso pela sua disponobilidade, à equipa da Ludoteca que foi incansável na realização dos cenários, no apio aos ensaios, na elaboração da sonoplastia; A Teresa, que por ter a " sorte" de ser da família, mais do que ninguém aturou as minhas "angustias" fora de horas de serviço, aos da minha casa, pelas horas que lhe roubei e em último por serem de facto os mais importantes, aos meus "Atores" que tanto se empenharam para que este projeto fosse uma realidade. »

Quem me conhece bem sabe que, para mim, uma democracia ativa e partilhada exige atores sociais responsáveis, instruidos e sobretudo com uma atitude critica perante o que os rodeia. Por isso  sou eu que , em meu nome e penso que em nome de todos os pais, te a agradeço a ti Maria Manuel e a todos os elementos da Ludoteca, que nos ajudam nessa dificil tarefa de construir o futuro do país através do que nele tem mais valor, as pessoas e principalmente as crianças.





Aplausos para todos!!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Deixas-te ficar


Este post é como não podia deixar de ser dedicado a alguém que já me dedicou tantos outros posts. É dedicado a ti Feiticeira.. porque há pessoas com quem partilhamos momentos ao longo de um caminho.. muitas vezes feitos de pedra.. seguindo alinhamentos sinuosos em paralelo com o abismo. Ainda assim, são esses caminhos que nos marcam e permanecem ao longos dos anos.. no final do caminho.. está um abrigo seguro.

Acordas sem dormir e sais pra rua apressada
Caminhas suavemente iluminada
Atiras o teu corpo como se voasses no vento
Passo a passo perdes-te no tempo
E o mundo vai na tua mão e voas sem sair do chão
E cantas pra acordar a tua voz
E os loucos riem-se de ti
Cantam, dançam para ti
E vão ficando menos sós
E o mundo vai e voas sem

Regressas ao lugar
De onde então nunca saiste
Abraças o que de ti ainda resiste
Devolves ao espelho o teu disfarce lunar
Descansas, deixas-te ficar

Classificados - Deixas-te ficar