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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

No patamar do céu



Chove lá fora.

Cá dentro as lágrimas caem dos rostos sem brio, amarrotados como de
papel reciclado se tratassem: se nos tratatassem...

Foi assim por entre as luzes do azul e do fluorescente, entre branco
aguerrido que a vida deu a volta. Nas voltas por entre as vidas, o
futuro, cria: pintar a amarelo.

Mas tal como se colhermos uma papoila do mato onde nasce , selvagem
sem a mão humana, também o futuro não se deixa pintar por qualquer
mão. Cria-se. Cria-se um futuro por entre os passos, como se um tango
ou uma valsa se tratasse...

...e o piano prime as teclas, na sonolenta melodia, comprimem-se as
dores, e o futuro passa...passa-se...

Chega.

....de um fabuloso destino, a papoila conjuga as cores, as dores...

e na leveza, entre a alma e outras almas, chegaremos por fim, ao
patamar  de um nosso céu.




*Ana Lúcia Bica ( Tita)*

domingo, 4 de novembro de 2012

Por terras e águas do Luso

Da humidade que o bosque transmite, numa terra de água, estranho seria se não nascessem a cada canto,  todos diferentes, por vezes sozinhos, outras "aos molhos". Digo sempre que todos são comestíveis, mas alguns, são-o apenas uma vez...este não sei, que nada percebo de cogumelos, mas tem um aspecto mágico e só lhe faltava a lagarta a fumar, confortavelmente sentada por cima dele.

Parei em frente e esperei que saísse o coelho a olhar para o relógio, a confirmar-se atrasado. Ri-me com a noção que tive que essa imagem do coelho atrasado, me seria tão proximamente familiar.
A porta é minúscula e está implantada, cercada de plantas, num lugar tão improvável que quase que aposto que quem a colocou ali, esperava que parássemos a sonhar, à sua frente....



E por fim, depois de me ter fascinado por mais uma mata nacional, as placas a informarem os sentidos confirmaram-me o que antemão já pressentia  Por vezes existe mais do que uma hipótese de ir dar ao mesmo lugar, só que por uma delas, mais tarde ou mais cedo, vamos inevitavelmente enfiar um pé na cova...

Adorei as terras húmidas e quiméricas do Luso


sábado, 29 de setembro de 2012

Foi Deus?

                                   





Pergunto-me demasiadas vezes demasiadas coisas, e só me ficam as certezas quando me dão as respostas. As perguntas certas nem sempre são feitas e por isso as respostas não satisfazem. Lutamos dia a dia em conjunto ou solitários por aquilo que queremos. Mas será que foi isso que escolheram para nós? Se acreditarmos que somos donos do nosso destino, tudo nos é possível. Mas seremos mesmo? tanto destino que por aí anda, coincidindo em quereres, objectivos, desejos...um passo em falso e viramos a esquina para o lado "errado" encontrando alguns rostos e perdendo o rasto a outros, baralhando as respostas das perguntas que ficaram por fazer.

Tudo nos será possível ou a possibilidade é toda a certeza que poderemos alguma vez entender??

                                         
                                                    " Foi deus
                                                  Que deu luz aos olhos
                                                       Perfumou as rosas
                                                             Deu oiro ao sol
                                                                  E prata ao luar





Foi deus
      que deu voz ao vento
             luz ao firmamento
                   e deu o azul às ondas do mar
                                                               
                                                            Foi Deus...

                                                           

                                                                  
 
                                                 
       ( excerto do fado -Foi Deus -composição de Alberto Janes para Amália)*



Foste tu?
Foste tu que baralhaste os caminhos?
Foste tu que separaste os nós e enleaste os cadilhos, formando assim os trocadilhos?
Foste tu que baralhaste as cartas e depois cortaste a mão jogando à sorte qualquer um dos naipes?

Foste tu que puseste a pedra no meio do troço?
Foste tu que separaste as gentes e lhe deste a voz para que se juntassem de novo?
Foste tu?

És tu que crias as perguntas?
És tu que as respondes?
Mas se as perguntas já foram feitas, de que vale a resposta, se já a deste, desde o início dos tempos?

Foste tu?
Foste tu que nos puseste a caminhar lado a lado , criando cordões humanos que te perguntam, porquê?


És tu?

                                                   O QUE ME PERGUNTAS?

                                  Sem ouvir a pergunta, jamais saberei dar a resposta....


                                                         "Se canto
                                                 não sei o que canto
                                                 misto de ventura
                                                 saudade, ternura
                                                  e talvez amor..." *


Se és tu que crias o veneno, porque tens o antídoto?
Se a cada passo, percorro o caminho que me deste, porquê tanto obstáculo até ao fim...

Onde vais Senhora?











segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mudanças de Estação



Por aqui vestimos as cores de Outono. Parece que veio de mansinho, na hora certa, ocupar o lugar que lhe pertence. O Outono é para mim a necessária estação para a hibernação que vem com o Inverno. Não que me passe sequer pela cabeça hibernar (porque como isto anda, aí de quem não vá trabalhar) mas porque no fundo o Inverno é um tempo de reclusão e meditação em que nos vimos confinados à protecção segura de um abrigo contruído, para que as tormentas que o céu divide, não sejam fatais e demasiado rigorosas.

A verdade é que arranjei uma desculpa para mudar um pouco, parece-me sempre que nunca está suficientemente bem e que se pode sempre melhorar e nunca fico totalmente satisfeita com o resultado. Exigência? não acho, até porque sou bastante descontraída quando faço uma coisa que realmente gosto. Mania da perfeição? ( completamente fora de hipótese, sou contra isso e a minha religião não me permite) Então o que será? Na verdade acho que é uma insatisfação que me é intrinseca, nunca estou realmente satisfeita com o resultado daquilo que faço. No entanto, esta premissa aplico-a a mim e exclusivamente a mim. Traz-me de facto alguns contra-tempos e nunca dou o devido valor ao que é meu. Apesar disso sei que consigo quase sempre transmitir a outros o valor que lhes atribuo, mesmo que por vezes a expressão desse valor seja feita de uma forma que me caracteriza, ou seja, é preciso conhecer a peça para lhe entender o significado.

Num dos vários cursos que já fiz (como é também característica da minha geração, todos nós acumulamos formações atrás de formações), na disciplina de relação interpessoal, o professor caracterizava o português como aquele que, numa sala escura onde só  houvesse um projector, se iria colocar no local mais sombrio dessa mesma sala. Lembro-me de ter pensado: Sou eu! Não há dúvida, corre-me sangue português nas veias! O pior é que isso nos tem trazido demasiados dissabores ao longo dos tempos, especialmente por desvalorizarmos aquilo que é nosso.

Felizmente vão existindo alguns Mourinhos e Figos e Ronaldos, que apesar das criticas de que são alvo no seu próprio país, lá vão levando a sua avante, acreditando sempre no seu real valor.


Temos que ser fortes! acreditar no nosso valor e acreditar que apesar de todas as cigarras a cantar neste país, as formigas resistirão aos Invernos, preparadas que estão para os tempos maus...





sábado, 15 de setembro de 2012

O inesquecivel ano de 2012




Ontem foi o ultimo dia de ferias ou, conforme a perspectiva que se preferir, o primeiro dia de aulas de um novo ano lectivo.  Eu tive a casa cheia ( adoro uma casa cheia). E' bom ver os miudos brincando, simulando vidas, jogando o futuro em brincadeiras que demonstram a capacidade  do que a esperanca ainda lhes pode oferecer. Passam de um concerto para uma sessao de anedotas, parando em frente a televisao para jogar as capacidades desportivas fazendo-se passar por qualquer super-heroi em disputa por um  primeiro lugar e assim conquistarem a admiracao e o respeito uns dos outros, sem sairem do mesmo lugar.
Enchem-me de alegria saber que o futuro mantem a esperanca viva. Eles nao sabem, nem tem ainda nocao ( e ainda bem) de todo o esforco que esta por tras, para que a vontade  de continuar se mantenha presente. Para eles crise, e' nao poderem adquirir qualquer objecto reluzente que lhes salte aos olhos. Simples assim.
Pergunto-me algumas vezes em quantas bocas nao tera a crise o mesmo significado. Porque e muito facil nao saber medir o esforco dos outros quando a nossa propria regua de medicao tem uma escala completamente oposta ou se encontra baseada em valores diferentes .
Diferenca, eis um ponto fulcral que e preciso aprender ( e ensinar) a respeitar.
Por isso adoro uma casa cheia, adoro te-los por ca, cada um com os seus gostos, com as suas manias, com os seus defeitos, que juntos aprendem a saber respeitar e apreciar uns nos outros, respeitando as qualidades de cada um e experimentando todos um pouco daquilo que cada um faz melhor ou menos bem.
Enquanto puder ( e eles quiserem) quero te-los por aqui, bem perto, na minha alegre postura de kanguru,  onde posso sempre protege-los dentro da bolsa de marsupial. Sim, porque cada ano e' um novo caminho que eles vao encetando para fora da minha bolsa e espero que quando tiverem que andar sozinhos e fora dela estejam preparados para enfrentar este mundo dificil que construimos e que lhes vamos deixar .
Por enquanto preocupo-me em alegrar um pouco os dias e mostrar-lhes que para sermos felizes, temos que aproveitar todos os momentos juntos, como se nao houvesse amanha...e que depende exclusivamente deles a capa que usarao para vestir a sua propria vida.

" Yeah, you could be the greatest
  You can be the best
  You can be the king kong banging on your chest
You could beat the world
You could beat the war
You could talk to God, go banging on his door
You can throw your hands up
You can beat the clock
You can move a mountain
You can break rocks
You can be a master
Don't wait for luck
Dedicate yourself and you can find yourself "
                               Hall of fame ( feat will.i.am) - The Script

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

The gift of the year - a cor e a música do Portugal do presente



São Portugueses, talentosos e irreverentes. Têm um sentido estético diferente do habitual, no comum da nacionalidade e sobretudo têm sabido rodear-se ( muito importante nos dias de hoje, porque ninguém faz nada sozinho e todos necessitamos uns dos outros). O resultado está à vista, são uma das bandas do género mais internacionais e mais aplaudidas, tanto cá dentro como lá fora, e hoje segundo consta, receberam um prémio que merece mais uma vez o nosso aplauso.



A capa do disco em vinil do album Explode foi considerada pela Art Vinyl uma das melhores do ano de 2011. Este trabalho criativo foi realizado pela Velcro Design sediada em Alcobaça e as fotos com estes maravilhosos toques de cor são de Poras Chaudhaery, fotografo indiano. 
Um estupendo "Gift"  de inicio de ano para esta banda de que sou fã desde o 1º album e que se prepara para lançar dia 9 deste mês o album Primavera, nome de uma das sempre presentes músicas cantadas em Português.
Parabéns pelo presente que receberam e pelos que nos dão tanto musical como artisticamente!