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sexta-feira, 22 de março de 2013

Primavera ?!?!?!



E pronto! Vestimos as cores de Primavera e estamos preparados para o que há-de vir. Mesmo que ninguém saiba muito bem o que se segue. O governo, cai ou não cai? Os portugueses, aguentam ou não aguentam? O salário, chega ou não chega?
O que eu sei que chega é esta incerteza de não vermos rumo para chegar a lado nenhum. Austeridade, austeridade... e a bem da verdade os resultados estão à vista! ou melhor não estão, porque não se vêm, muito pelo contrário: estamos mais pobres, mais mal-humorados e desconfiados de que alguém saiba até onde conseguimos chegar.
Se na" teoria económico-psicológica" * são as dificuldades que nos impulsionam para chegarmos mais longe...fazer mais e melhor; eu pessoalmente estou a ficar um bocado cansada de dar ao pedal e não ver resultados nenhuns... é que isto do desemprego gerar novas oportunidades, fica bem na cabeça dos teóricos mas na prática só se vê aumento nas estatísticas do desemprego, nas horas de trabalho, na quantidade do mesmo e zero em incentivos que nos façam aumentar a motivação. Sim, porque sem motivação não há nada que nos faça andar a sacrificar a pele por muito tempo porque, que eu saiba, o masoquismo ainda se encontra na esfera dos desvios da normalidade.
Até o meu filho já descobriu que, se se esforçar um pouco, consegue bons resultados e com isso o aumento das minhas horas de satisfação e bom humor para além do orgulho de se sentir realizado. Ora se ele se esforçasse, conseguisse melhorar os resultados e eu ainda por cima lhe dissesse : "não foi o suficiente"! o mais provável era que ele me respondesse: queres melhor? faz tu, sdkirchwnerxcfuwqpaei!



Difícil de entender???  Pois eu também acho que não  =D






* a vossa atenção para o facto da dita cuja não existir a não ser na minha imaginação...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Um lugar... em qualquer lugar


Sou uma "apegada". Apego-me às coisas como se depois delas nada mais pudesse haver ( desde menina); guardo ainda as bonecas favoritas, os bilhetes de viagens singulares, toda uma parafernália de lixos sentimentais que têm apenas e só o valor que lhes dou e na maior parte das vezes não servem para nada senão para fazer monte. As separações são-me dificeis ( Freud explicaria isto facilmente. Assim como tantos outros, e até eu, mas não me apetece e nem voces têm nada com isso) mesmo que eu saiba por A+B que ficar é insustentável, mudanças nunca me foram fáceis.

A bem dizer, já nem sei há quanto tempo ando por aqui a phomentar. Uns dias mais divertida, outros mais chata, e outros ( muitos) mais lamechas ( confesso sou de uma lamechice de envergonhar qualquer caramelo que se digne do nome) .  Agora decidi mudar de visual ( espero que me saia melhor do que o corte de cabelo, que por incrivel que pareça não consigo dominar de jeito nenhum). Nunca fui perita em arrumações, bem pelo contrário, o meu forte é mesmo desarrumar tudo.Por isso não se admirem se de cada vez que aqui voltarem ( supondo eu que até voltam) esteja tudo completamente diferente. Tenho muita dificulade em ficar satisfeita, e para mim nada está suficientemente bom. É mau ,eu sei, sofro isso na pele.
Vou tentar mudar o visual do sitio ( mudanças de sitio também já vão começando a ser comuns...), a ver se a coisa melhora, ou então não... é que , como dizia a minha avó: para baixo, todos os santos ajudam, pra cima só um ( e agora até já coxa está a começar a ficar) . Senhor: dai-me paciência, porque se me dás força...não há moral que me aguente!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ar ... de natal




E, por esta altura do campeonato ( perguntarão vocês) será que ela se
esqueceu que é Natal?

Na verdade estava à espera da chegada do Inverno, e do seu manto alvo
de beleza e mansidão, para vestir o " sítio" com roupagens
apropriadas. Depois lembrei-me que a chegada do Inverno, este ano,
coincide com mais uma mágica e apocalipitica previsão de fim de
mundo.
Bom, pelo sim pelo não, considero mais prudente " vestir-me"
antecipadamente não vá o dito cujo chegar, sem que eu vos deseje :

Um bonito, desenrascado, imaginativo e alegre

FELIZ NATAL


                                  =D

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

No nevoeiro



Tantas e tantas vezes me ocorre que o D Sebatião, para além de uma
figura histórica será para sempre uma marca genética do código
português...

estaremos, enquanto identidade, infinitamente à espera de algo que nunca irá chegar...


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

No patamar do céu



Chove lá fora.

Cá dentro as lágrimas caem dos rostos sem brio, amarrotados como de
papel reciclado se tratassem: se nos tratatassem...

Foi assim por entre as luzes do azul e do fluorescente, entre branco
aguerrido que a vida deu a volta. Nas voltas por entre as vidas, o
futuro, cria: pintar a amarelo.

Mas tal como se colhermos uma papoila do mato onde nasce , selvagem
sem a mão humana, também o futuro não se deixa pintar por qualquer
mão. Cria-se. Cria-se um futuro por entre os passos, como se um tango
ou uma valsa se tratasse...

...e o piano prime as teclas, na sonolenta melodia, comprimem-se as
dores, e o futuro passa...passa-se...

Chega.

....de um fabuloso destino, a papoila conjuga as cores, as dores...

e na leveza, entre a alma e outras almas, chegaremos por fim, ao
patamar  de um nosso céu.




*Ana Lúcia Bica ( Tita)*

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Nós: dos grandes





" A Mininha disse: antes de um vulcão explodir, as cobras afastam-se, e se houver um rio ou mar no caminho, as cobras afogam-se. A Matilde baixou-se aos olhos da cria e limpou-lhe uma bágoa. A rapariga explicou: parece que vai tudo explodir. O medo fazia-se assim. Um medo feito de tristeza que tornava a menina arreliada numa pessoinha a vacilar"...

                                                                                     in O Filho de mil homens - Valter Hugo Mãe

" A companhia de verdade, achava ele, era aquela que não tinha por que ir embora e, se fosse, ir embora significaria ficar Ali, junto " ...

                                                                                      in O Filho de mil homens - Valter Hugo Mãe


Deixar ir é mau costume: já dizia a minha tão querida avó ( minha querida é mais uma das coisas em que não estávamos de acordo, e ainda bem que não concordávamos em tudo )  Na minha entendência saber deixar ir é também uma grande forma de se amar: há que saber deixar os filhos abrir asas e voar como se passarinhos fossem, procurando os galhos com que construirão seus próprios ninhos; há que deixar ir aqueles que gostamos, mesmo que contra a nossa vontade, desde que eles achem que vão para onde os seus sonhos se pareçam com o seu eu, como se de um olhar ao espelho estivéssemos a falar; Há que deixar partir com a paz da certeza do que sentimos, para que não restem dúvidas das intenções.

É por isso que vou, porque a vida é feita de ciclos e porque tal como na profecia Maia, houve um ciclo do meu crescimento que se fechou. Talvez que já não cresça em altura ( bem me parece que daqui só para baixo) mas o crescimento pessoal tal como a procura da sabedoria nunca terá um fim. O ciclo fechou porque não me restam dúvidas sobre as intenções, apenas do caminho a trilhar, para alcançar o próximo patamar.

Nós: os grandes ( para usar uma das expressões do meu mais velho) , somos complicados; mas é essa complexidade que nos faz escorrer de dentro uma nascente de pensamentos, que se transformam na expressão mais artística e sensível da beleza da humanidade. Uma irmandade que se une na conquista da beleza e da pureza de um pensamento livre, para combater as complicadas redes de interesses pessoais que se atravessam nas marés da vida: é este o trajecto da  nossa existência;  uns que apoiam, outros que por sua vez são atraiçoados por outros ainda, que pretendem um pouco daquilo que sonham ser o ter de outros (?; complicado? pois... e não disse que os nós eram complicados? )

Talvez a vida deva ser simplesmente como um nascer de sol : recomeça todas as manhãs, dando a cada dia uma luminosidade diferente, mas dentro dos mesmos tons, porque são esses os seu favoritos. Haverá alguma coisa mais bonita num dia do que o seu nascer? Então para quê complicar?


E tal como diz o meu mais pequeno, desolado a olhar para o relógio ( que por estar parado, lhe parece que não avança) : não se mexe...
Não faz mal filho, se tiveres paciência ele há-de estar certo, pelo menos uma vez ao dia.

Nós, os grandes, sempre que deixarmos escapar as pequenas coisas importantes, estaremos a ser cada vez menos nós.








quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Dez e meio e dois palmos de gente: Sempre na minha mente (as Luzinhas)



Olho o relógio e os ponteiros passam, a marcar horas, pelo mesmo sítio, onde, há 10 anos, o relógio digital marcou pela ultima vez um número em que só eu contava...
Um sono aparentemente igual a tantos outros e o despertar que mudou para sempre o correr, o marca passo, a importância e a noção de que o tempo nunca tem tempo suficiente para demonstrar, fazer, aperfeiçoar e afeiçoar tudo o que pretendemos proteger daí para a frente.
Podia fazer correr as teclas do computador uma noite inteira e não conseguiria descrever o que já vi acontecer dezenas de vezes mas que quando nos calha a nós, sabe sempre a felicidade num estado indeterminado; indeterminado porque não há escala nesta vida que permita comparar com qualquer outra coisa: sentir nascer de dentro de nós, para a luz, uma nova vida, que a cada minuto que corre, daí para a frente, quererá ser sempre e sempre mais independente.

E porque todas as palavras, as letras e os sentimentos não chegam para preencher o interior do ser mãe

Parabéns por seres...  


Tu, uma das minhas luzes


         


Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro nem ficas sozinha
Que luzinha tão lindinha acompanha a menina
Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar
Assim nunca está escuro e nem ficas sozinha
Ao bébé chamaste Zé e ao ursinho Antoninho
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar?

Olha, olha esta luzinha...

Teu lado a brilhar... nem ficas sozinha...acompanha a menina...

Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar (teu lado a brilhar)
Assim nunca está escuro nem ficas sozinha (nem ficas sozinha)
Que luzinha tão lindinha acompanha a menina (acompanha a menina)
Olha, olha esta luzinha a teu lado a brilhar (teu lado a brilhar)
Queria ter lar (ai que nome)
Que nome lhe vamos dar
Era tão bom ter um nome
Que nome lhe vamos dar?
Antes que chegue o soninho
O que é que lhe vamos chamar?

Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...
Olha, olha esta luzinha...

Luzinha....


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Plic-Plec * Tic - Tac



..."...há quem fale com as paredes. Em rapaz lera um romance de um escritor então muito lido, e mais tarde injustamente menosprezado, um tipo com nível, que em certas coisas ia direito ao assunto e que nesse livro falava com o seu próprio corpo, ou antes, com um ponto bem preciso do corpo, a quem chamava o seu "ele", para entabular um diálogo que nada tinha de banal. Mas aqui o caso era outro, porque o seu "ele" não era para aqui chamado, e limitou-se por isso a dizer: perna,oh, perna! Moveu-a e a resposta foi uma dor lancinante. Não havia diálogo possível. Estendeu-a com toda a cautela e a dor concentrou-se na coluna. Coluna infame! Voltou a irritar-se. Pensou que se chamasse o médico, com o qual tinha doravante demasiada confiança, ele lhe diria que estava com um ataque de literatura, observação que já em tempos fizera. Parecia-lhe ouvi-lo: meu caro, o problema está sobretudo no facto de adoptares posições incorrectas  ou melhor, de teres adoptado em toda a tua vida posições incorrectas quando escreves, porque infelizmente o teu problema é escreveres..."...


do conto  Pic plec, plic pec *   de Antonio Tabucchi em O Tempo Envelhece Depressa













Há quem fale com as paredes. Por vezes as paredes sabem mais de nós do que aqueles que vemos todos os dias e a quem podemos estender as mãos num abrir e fechar de olhos. É muitas vezes num abrir e fechar de olhos que tudo muda. São demasiadas as vezes que, entre paredes a quem chamamos nossas,  nos sentimos melhor e quando nos faltam as paredes faltam as traves mestras que mantêm a estrutura fixa, imóvel, segura, forte.
A protecção é um conceito abstracto mas que , por motivos de sobrevivência consideramos simples e fácil de atingir. Como todas as outras coisas é projectada numa imagem que convêm manter inerte durante a vida, para que não se perca. Inerte porque se quer sem vida , já que a vida pressupõe mudança e é essa mudança que teremos sempre muita dificuldade em aceitar, mesmo que ao espelho nos vejamos como facilmente "absoventes" do que é novo.  Absorvemos, observamos, protegemos, simplesmente sufocamos, ou então adormecemos, fingindo tomar o ar que nos interessa, projectado na imagem que entretanto passou a sonho.
O sonho de uma noite de Verão ( as melhores de todas) e onde se pode falar com quem e de quem a nossa imaginação conseguir criar e aí sim podemos seguramente falar com as paredes... ti(c)-ta(c)...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Iluminando as horas...




..."Um barco aporta no rio,
Um homem morre no esforço,
Sete colinas no dorso
E uma cidade p'ra mim.

Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p'ra ti.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me"....


Pedro Abrunhosa - Ilumina-me


Toda a gente quer chegar, ninguém sabe bem onde, mas quer
é quase como um volver, sem saber o que querer...
Falta-nos luz, falta-nos um onde e um porquê
...vamos andando... até quando...
mas vamos... imaginando não morrer
vamos, imaginando um sempre mais arder,
num peito que pensa, enchendo de razão
o lugar do coração...
vamos...
ardendo, num lume de meter medo
esperando um amanhã iluminado
tal como o imaginado
amado
suado
forçado,
sofrido
carregando no sonho a luz
 de um futuro a fazer jus
ao que se caminhou,
ao que não se alcançou..

gosto da vida, mesmo que sofrida:
ilumina-me as horas,
torna-me a felicidade tão comprida
que faz esquecer todas as complicadas demoras...

Um ajuste nas contas
de quem não conta
com as rasteiras
e as asneiras
que a vida nos apronta... 









sábado, 20 de outubro de 2012

Um pouco de um outro céu

De repente o sol quer abandonar-te e o céu adquire aquela tonalidade nunca igual de quem deixa para trás algo que não poderá recuperar-se. Algo irrepetível. Para sempre memorável.

Sentada, o abismo que a ravina deixa adivinhar engole o silêncio que se repete continuamente dentro da tua cabeça. Gostavas de parar o tempo, de guardar para sempre aquela imagem e vive-la repetidamente como espelho da tua própria felicidade; mas o abismo devolve-te o silêncio que preenche continuamente a tua cabeça. 

O sentido de que tudo será diferente amanhã, transfere um sentimento de incerteza que te aproxima do significado de ravina: a raiva de um fundo sem chão, desconhecido e agreste. Sentes que a janela do teu mundo está lentamente a ruir e que para lá do que vês, o ocaso poderá ser diferente, em cada acaso, do que era até agora. 

O contraste entre o céu e o que fica para baixo, no precipício, para onde não queres olhar mas que se adivinha nas imagens que reproduzes do que virá, torna-se pouco perceptível. Como se o mundo tivesse parado, para ouvir o silencio dos teus pensamentos, e o céu fosse o teu próximo chão, e o chão do caminho a percorrer o teu novo céu. Sentes -te num avesso de sentires e de vontades, nada do que seria para ser, assim o será...

O teu sentido de futuro mudou, como muda todos os dias a beleza do sol que se encaminha para o outro lado do mundo, que até aí parece ter estado ás escuras à espera do seu lugar ao sol. Esse sol de que não queres perder a imagem, a lembrança, esse sol que seria teu, no seu perfeito lugar. Memorável. Inigualável...

...E de um momento para outro a noite chega. Diferente. Da janela , nada se percebe agora. A igualdade que nos dá a falta de luz, torna democrática a paisagem. Torna a maioria igual, aparentemente soberana. Pressentes o abismo, mas já não o vês.  E o céu ilumina-se agora com minúsculos pontos de luz, que dizem desde tempos incontáveis, devolver a quem para eles muito olha, a certeza de um caminho a seguir. A força da vontade de não parar, mesmo quando o abismo se mantém fixo, imóvel e imutável, no lugar que terás que enfim abandonar, para deixar o desconhecido lentamente entrar e ocupar o seu novo lugar ...





segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Rotas


Passas pelo mesmo caminho todos os dias, mas
escondidas na tua rota,
existem as curvas que te fazem abanar a cabeça e chocalhar os pensamentos
tentando em vão por em ordem o que parece espalhado pelo chão,
que não sabes como pisar.

Caminho...

Na clareira encontras o sol que se esconde
por detrás daquelas que lá estão e já la estavam
antes sequer de começares a pensar em passar por ali.

Clareira...

As árvores deixam que o sol espreite por entre as folhas que respiram,
fazendo com que este leve com ele tudo o que não necessitam e está a mais,
ajudando-as a transformar, reciclando.

Árvores...

Não andar,
não dar sequer um passo é motivo para ser menos eficiente?
Conta-me árvore, o que vês da altivez da tua inércia?
Fazendo mais por outros do que se poderia imaginar,
sem mexer nada de ti
a não ser quando o vento vem brincar para perto.

Não andar...

Todos os dia escondida na tua rota,
sem dar um passo que não seja necessário,
abanas a cabeça, negando curvas,
chocalhando os pensamentos tentando perceber,
que clareira esconderá o caminho que te levará
àquilo
que não queres de todo pisar...

Todos os dias escondida na tua rota...



"Se cuidas de mim
Eu cuido de ti também
Se vens em paz
Eu venho por bem
Se formos bebendo
o chão deste caminho
Vou guardar-te bem
Agora que sei
Que não vou sozinho"


Tiago Bettencourt - Se cuidas de mim







segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A Flor de Sal



" Vós, diz Cristo Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal
da terra: e chama-lhes o sal da terra, porque quer que façam na terra
o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a
terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que
têm o ofício de sal, qual será , ou qual pode ser a causa desta
corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa
salgar. "...


Sermão de Stº António aos peixes -
Padre António Vieira




Branca, fria(?), ar tosco. Os primeiros raios da luz da manhã insidem obliquamente nas suas minúsculas folhas deixando a descoberto um suave brilho, que só se percebe bem em algumas incidências.
A luz decompõem-se.
P`las lágrimas, deixando-a a descoberto, as várias tonalidades que a luz branca pode gerar formam um arco-íris em cada folha. A íris, na palete de cores confunde e pode fazer dela qualquer
flor.
Não é uma qualquer. É a flor de sal.
Suave visão, branca como a neve... e ainda a vida, a manter-se à superficie como se uma ilha fora, tentando não afundar, para não se tornar apenas em mais sal vulgar. Colhida por mãos alheis, desfolhada em minimos cristais: pedra brilhante, agora, deformada.
Num qualquer prato servida? Não! As folhas que brilhavam e fizeram dela flor, lembram, no gosto do seu tempero que a mão certa só do melhor se servirá...



..."Few tears
Few milles
between my vision
and your calm routine

And I`m stading here
happy to be here
happy to be here
here and now" ...


Open Window - THE GIFT

sábado, 29 de setembro de 2012

Foi Deus?

                                   





Pergunto-me demasiadas vezes demasiadas coisas, e só me ficam as certezas quando me dão as respostas. As perguntas certas nem sempre são feitas e por isso as respostas não satisfazem. Lutamos dia a dia em conjunto ou solitários por aquilo que queremos. Mas será que foi isso que escolheram para nós? Se acreditarmos que somos donos do nosso destino, tudo nos é possível. Mas seremos mesmo? tanto destino que por aí anda, coincidindo em quereres, objectivos, desejos...um passo em falso e viramos a esquina para o lado "errado" encontrando alguns rostos e perdendo o rasto a outros, baralhando as respostas das perguntas que ficaram por fazer.

Tudo nos será possível ou a possibilidade é toda a certeza que poderemos alguma vez entender??

                                         
                                                    " Foi deus
                                                  Que deu luz aos olhos
                                                       Perfumou as rosas
                                                             Deu oiro ao sol
                                                                  E prata ao luar





Foi deus
      que deu voz ao vento
             luz ao firmamento
                   e deu o azul às ondas do mar
                                                               
                                                            Foi Deus...

                                                           

                                                                  
 
                                                 
       ( excerto do fado -Foi Deus -composição de Alberto Janes para Amália)*



Foste tu?
Foste tu que baralhaste os caminhos?
Foste tu que separaste os nós e enleaste os cadilhos, formando assim os trocadilhos?
Foste tu que baralhaste as cartas e depois cortaste a mão jogando à sorte qualquer um dos naipes?

Foste tu que puseste a pedra no meio do troço?
Foste tu que separaste as gentes e lhe deste a voz para que se juntassem de novo?
Foste tu?

És tu que crias as perguntas?
És tu que as respondes?
Mas se as perguntas já foram feitas, de que vale a resposta, se já a deste, desde o início dos tempos?

Foste tu?
Foste tu que nos puseste a caminhar lado a lado , criando cordões humanos que te perguntam, porquê?


És tu?

                                                   O QUE ME PERGUNTAS?

                                  Sem ouvir a pergunta, jamais saberei dar a resposta....


                                                         "Se canto
                                                 não sei o que canto
                                                 misto de ventura
                                                 saudade, ternura
                                                  e talvez amor..." *


Se és tu que crias o veneno, porque tens o antídoto?
Se a cada passo, percorro o caminho que me deste, porquê tanto obstáculo até ao fim...

Onde vais Senhora?











segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mudanças de Estação



Por aqui vestimos as cores de Outono. Parece que veio de mansinho, na hora certa, ocupar o lugar que lhe pertence. O Outono é para mim a necessária estação para a hibernação que vem com o Inverno. Não que me passe sequer pela cabeça hibernar (porque como isto anda, aí de quem não vá trabalhar) mas porque no fundo o Inverno é um tempo de reclusão e meditação em que nos vimos confinados à protecção segura de um abrigo contruído, para que as tormentas que o céu divide, não sejam fatais e demasiado rigorosas.

A verdade é que arranjei uma desculpa para mudar um pouco, parece-me sempre que nunca está suficientemente bem e que se pode sempre melhorar e nunca fico totalmente satisfeita com o resultado. Exigência? não acho, até porque sou bastante descontraída quando faço uma coisa que realmente gosto. Mania da perfeição? ( completamente fora de hipótese, sou contra isso e a minha religião não me permite) Então o que será? Na verdade acho que é uma insatisfação que me é intrinseca, nunca estou realmente satisfeita com o resultado daquilo que faço. No entanto, esta premissa aplico-a a mim e exclusivamente a mim. Traz-me de facto alguns contra-tempos e nunca dou o devido valor ao que é meu. Apesar disso sei que consigo quase sempre transmitir a outros o valor que lhes atribuo, mesmo que por vezes a expressão desse valor seja feita de uma forma que me caracteriza, ou seja, é preciso conhecer a peça para lhe entender o significado.

Num dos vários cursos que já fiz (como é também característica da minha geração, todos nós acumulamos formações atrás de formações), na disciplina de relação interpessoal, o professor caracterizava o português como aquele que, numa sala escura onde só  houvesse um projector, se iria colocar no local mais sombrio dessa mesma sala. Lembro-me de ter pensado: Sou eu! Não há dúvida, corre-me sangue português nas veias! O pior é que isso nos tem trazido demasiados dissabores ao longo dos tempos, especialmente por desvalorizarmos aquilo que é nosso.

Felizmente vão existindo alguns Mourinhos e Figos e Ronaldos, que apesar das criticas de que são alvo no seu próprio país, lá vão levando a sua avante, acreditando sempre no seu real valor.


Temos que ser fortes! acreditar no nosso valor e acreditar que apesar de todas as cigarras a cantar neste país, as formigas resistirão aos Invernos, preparadas que estão para os tempos maus...





segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A luz dos horóscopos

Em conversa com a minha tia ontem fiquei a saber que segundo o horóscopo chinês que ela consultou, este será um ano propenso a enfartes.

De súbito percebi o interesse dos chineses pela EDP,

eles receiam que lhes falte a electricidade para tanta máquina vital!!!







domingo, 22 de agosto de 2010

A noite e a luz



Tento uma, tento duas tento três e até tento muitas mais, e na tentativa de ficar como eu imaginei, tremo sempre no momento essencial. Vou acabar por tremer sempre, faz parte de mim...habituo-me a viver com isto ou aproveito e obtenho o melhor que posso do que consigo fazer?...
A noite e a luz...um contraste que eu adoro

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Raio do sol



O vidro, embora transparente dá a falsa sensação de permitir ver tudo. Mas há pequenos pedaços de natureza, quase imperceptiveis como raios de sol que só se distinguem sem barreiras, por muito transparentes que elas sejam...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Reflexo imaginado do que lá está


... e até se pode colorir a luz, e azular as águas mas as imagens paradas no tempo não passarão daquilo que são, imagens...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A luz ao vento


O vento  durante a noite lembrou que a natureza pode ultrapassar-se  sempre ao Homem. As águas querem galgar os seus limites, as gaivotas invadem as praças da cidade e as luzes mostram não querer ser capturadas em momentos parados porque o movimento é uma característica da vida e a natureza por vezes acelera esse movimento, mostrando o seu poder superior.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Essências



Momentos e sensações...
O cheiro doce invade o espaço e a suavidade da calma preenche o vazio
A luz ténue descobre sempre um pequeno local por onde espreitar.
Essenciais, a luz e a calma tornam-se prioridades na correria dos dias apressados.