sábado, 20 de outubro de 2012

Certas coisas aparentemente impossíveis: outras formas de pensar...
















Há coisas aparentemente impossíveis, penso.
Penso?
Pensar , essa caracteristica que nos torna humanos  ( é?).
Pensarás tu? E em que pensas quando o tempo te escorre por entre os dedos e tu não sabes o que fazer com ele?
Existem ainda pessoas que não sabem o que fazer com o tempo. Calam-se os minutos , devagar, deitando-se sobre os segundos transformando-os, expandido-os.
Conto-te dos meus pensamentos no silêncio dos segundos que se transformam em minutos, crescem  os meus pensamentos, que falam de mim para ti em silêncio.
Enquanto isso coisas aparentemente impossíveis acontecem.
Pouso os pensamentos na prateleira da memória enquanto pousa em mim um estranho voador pequeno e frágil. No silêncio do bater das asas, frágeis, ouço o grito de quem não sabe do tempo mais do que a natureza obriga.
Voa, tal como o pensamento, para longe. Não te conhece nem tão pouco a mim mas cruzou-se no meu caminho enquanto tu , longe, cruzas-te com outros seres de outras formas.
Pensarás? Perguntas nunca serão respostas e no silêncio dos pensamentos o grito das palavras transforma-se no silencio de quem não sabe mais do que o dia  a dia obriga.

Vou-te contar, os olhos não vão ver, coisas que ninguem pode entender. Vou, voo...coisas aparentemente impossiveis. Será que pensas? Entendes?

Fundamental é ser feliz e há certas coisas que importam mais do que portas que só se abrem em pensamento... Mesmo frágil, a natureza ensinou-me que essas coisas, quando não se cruzam, são insignificantes na magnitude do significado de amor:
Amor é a cura dos erros que a natureza comete em nós; ou é isso ou é apenas um simples voo de uma frágil criatura, de asas frágeis, que se cruza contigo, por um mero acaso dos segundos que se transformam em minutos, expandindo e transformando o tempo com que gastas a tua vida....

e isso é o fundamento de tudo o resto: certas coisas que se transformam em muitas outras coisas, a cura dos erros que a natureza comete em nós. Amor, mesmo quando as criaturas são frágeis e se cruzam, por mero acaso, contigo.
Entendes?
Há coisas aparentemente impossíveis mas eu penso...

Um pouco de um outro céu

De repente o sol quer abandonar-te e o céu adquire aquela tonalidade nunca igual de quem deixa para trás algo que não poderá recuperar-se. Algo irrepetível. Para sempre memorável.

Sentada, o abismo que a ravina deixa adivinhar engole o silêncio que se repete continuamente dentro da tua cabeça. Gostavas de parar o tempo, de guardar para sempre aquela imagem e vive-la repetidamente como espelho da tua própria felicidade; mas o abismo devolve-te o silêncio que preenche continuamente a tua cabeça. 

O sentido de que tudo será diferente amanhã, transfere um sentimento de incerteza que te aproxima do significado de ravina: a raiva de um fundo sem chão, desconhecido e agreste. Sentes que a janela do teu mundo está lentamente a ruir e que para lá do que vês, o ocaso poderá ser diferente, em cada acaso, do que era até agora. 

O contraste entre o céu e o que fica para baixo, no precipício, para onde não queres olhar mas que se adivinha nas imagens que reproduzes do que virá, torna-se pouco perceptível. Como se o mundo tivesse parado, para ouvir o silencio dos teus pensamentos, e o céu fosse o teu próximo chão, e o chão do caminho a percorrer o teu novo céu. Sentes -te num avesso de sentires e de vontades, nada do que seria para ser, assim o será...

O teu sentido de futuro mudou, como muda todos os dias a beleza do sol que se encaminha para o outro lado do mundo, que até aí parece ter estado ás escuras à espera do seu lugar ao sol. Esse sol de que não queres perder a imagem, a lembrança, esse sol que seria teu, no seu perfeito lugar. Memorável. Inigualável...

...E de um momento para outro a noite chega. Diferente. Da janela , nada se percebe agora. A igualdade que nos dá a falta de luz, torna democrática a paisagem. Torna a maioria igual, aparentemente soberana. Pressentes o abismo, mas já não o vês.  E o céu ilumina-se agora com minúsculos pontos de luz, que dizem desde tempos incontáveis, devolver a quem para eles muito olha, a certeza de um caminho a seguir. A força da vontade de não parar, mesmo quando o abismo se mantém fixo, imóvel e imutável, no lugar que terás que enfim abandonar, para deixar o desconhecido lentamente entrar e ocupar o seu novo lugar ...





segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Rotas


Passas pelo mesmo caminho todos os dias, mas
escondidas na tua rota,
existem as curvas que te fazem abanar a cabeça e chocalhar os pensamentos
tentando em vão por em ordem o que parece espalhado pelo chão,
que não sabes como pisar.

Caminho...

Na clareira encontras o sol que se esconde
por detrás daquelas que lá estão e já la estavam
antes sequer de começares a pensar em passar por ali.

Clareira...

As árvores deixam que o sol espreite por entre as folhas que respiram,
fazendo com que este leve com ele tudo o que não necessitam e está a mais,
ajudando-as a transformar, reciclando.

Árvores...

Não andar,
não dar sequer um passo é motivo para ser menos eficiente?
Conta-me árvore, o que vês da altivez da tua inércia?
Fazendo mais por outros do que se poderia imaginar,
sem mexer nada de ti
a não ser quando o vento vem brincar para perto.

Não andar...

Todos os dia escondida na tua rota,
sem dar um passo que não seja necessário,
abanas a cabeça, negando curvas,
chocalhando os pensamentos tentando perceber,
que clareira esconderá o caminho que te levará
àquilo
que não queres de todo pisar...

Todos os dias escondida na tua rota...



"Se cuidas de mim
Eu cuido de ti também
Se vens em paz
Eu venho por bem
Se formos bebendo
o chão deste caminho
Vou guardar-te bem
Agora que sei
Que não vou sozinho"


Tiago Bettencourt - Se cuidas de mim







domingo, 14 de outubro de 2012

As várias formas de dizer: amo-te



No caminho para o modelo (ou continente se preferirem as constantes actualizações de marketing) encontrei esta maravilha e fotografei-a, porque me fascinou.
Fascinam-me as ideias, algumas delas aparentemente sem sentido, que o ser humano arranja para demonstrar o que lhe vai la dentro.
Este apaixonado escolheu baldes de lixo como pano de fundo (ou outdoor) para demonstrar o que sentia.

A duvida tem-me perseguido desde então. Será que rosa compreendeu a nobreza da atitude ( apesar de serem baldes de lixo? ) Será que ela percebeu que o seu apaixonado escolheu uma forma totalmente diferente e só por isso mais chamativa para lhe confessar o que provavelmente de outra maneira não a conseguiria fazer entender? Será que a rosa chegou a perceber que era A Rosa e retribuiu? Ou será que um dia ainda irei encontrar escrito, num outro qualquer lugar insólito, a resposta da Rosa, que talvez, também incapaz de se expressar de outra forma, escreverá algures por ai, num outro mural improvisado:

Também te amo, Ze !

Com tanta hipótese imaginativa de se demonstrar o que se sente, de forma tao "subtil" e engraçada, quem é que necessita de facebook?

Talvez seja este o novo paradigma do graffiti ...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A semente da felicidade



... e depois ela quis ser feliz.
       ... um dia também ele tinha querido ser feliz.

Se fosses um dia de chuva diria que serias um daqueles em que a nostalgia até nos consegue fazer sentir maiores ( sabes como é?)  aquela nostalgia boa, de quem está de bem com tudo de bom e de mau que foi acontecendo ao longo do caminho.
Mas, se a memória não me falha, até nem chovia.

Era só de noite. Uma noite escura em que a única iluminação era a ponte que se fez a cada passo que os juntou.
Talvez se tenham reconhecido, talvez não. Quem consegue adivinhar a linguagem de uma voz que não fala?
Sentiram ( ou talvez não) que aqueles dias lhes aplacavam a solidão que se agarra ao corpo como se uma outra pele se tratasse.
...  depois ela continuou a querer ser feliz
      ...e ele continuou a não saber o que o faria ser feliz... ( só não me deixes gritar)
e a história deixou de fazer sentido...

Antes de tentar ser feliz , sonhava. Sonhava em ser feliz e era feliz sonhando...

Ele chegou. Tomou conta do  seu castelo nas nuvens ( era meu ou era teu, o castelo? ) . Prometeu, roubou o fogo dos Deuses e ateou-lhe a paixão. Mas os deuses castigam quem rouba o fogo sagrado sem pedir permissão para o fazer...e ela assustou-se.

      ....  ela continuou a querer ser feliz...
          .... e ele continuou sem saber se ela o faria feliz.

E a ponte (era uma ponte?) mudou de direcção e ela afastou-se, procurando noutros caminhos aquilo que se tinha proposto encontrar

... continuou infeliz. Quem sente de perto o calor do fogo dos Deuses não se contenta com nada mais.

Será que a linguagem das vozes que não falam são o código de honra dos que vestem a pele da solidão como se não conhecessem nenhuma outra?

Prometeu, roubou o fogo e não voltou...

    ....mesmo assim ela continua a querer ser feliz.

Dizem que a felicidade está dentro de nós. (Cá dentro? Estranho! há anos que me perco dentro de mim e ainda não a consegui encontrar)

     .... será que ele um dia também terá querido ser feliz?

Há sementes que não se devem lançar ao chão, porque se não forem para acarinhar, podem nunca chegar a crescer




" I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things,
 I didn't give to you
Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded"...

Adele - Someone like you